"Tintin é exemplo de como ser grande sendo ele mesmo", diz ator

Jamie Bell interpreta personagem em filme de Spielberg filmado em motion capture

EFE |

O ator britânico Jamie Bell - que emprestou seus gestos e movimentos ao Tintin digital, criado pelo diretor americano Steven Spielberg -, acredita que o personagem "racista e misógino" dos anos 30 ficou para trás. Felizmente, porque a história em quadrinhos foi "resultado de uma época".

Reprodução
A animação "As Aventuras de Tintim", dirigida por Steven Spielberg
"O nosso Tintin é um bom exemplo de ética, de como ser grande sendo o mesmo, sem depender de nenhuma característica especial. Tintin não tem superpoderes, ele é quem é por sua própria identidade e essa me parece uma mensagem magnífica para as crianças", afirmou Bell nesta quarta-feira (26) em entrevista à Agência Efe.

Poucos dias depois da estreia em Bruxelas - cidade natal do pai de Tintin, Georges Rémi "Hergé" (1907-1983) -, "As Aventuras de Tintin" é um prodígio técnico que o mago da bilheteria Steven Spielberg e seu aluno, o produtor Peter Jackson, trazem para o cinema com imagens que repousaram durante anos no subconsciente de uma geração inteira de jovens europeus.

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E o Tintin, que não podia ser humano, continua sendo um mistério, mesmo contanto com toda a energia e plasticidade do dançarino Jamie Bell. Isso porque o ator, que saltou à fama com outro menino prodígio, "Billy Elliot" (2000), prefere seguir anônimo.

"Conheci Tintin com oito anos e li os 23 livros assinados por Hergé. Tenho tanto apreço e respeito pelo universo de Tintin que só pensava em não arruiná-lo, era muita responsabilidade", comentou o ator, que considera tão boa a tecnologia usada na digitalização da imagem que se vê no olhar do desenho "a alma e o espírito" do personagem.

Spielberg contou que desde que conheceu o personagem, em 1981, já pretendia o levar para os cinemas. O próprio Hergé autorizou o diretor americano a levá-lo adiante, apesar de a obra já ter passado por outras tentativas.

Contudo, ainda não havia a técnica "motion capture" (a captura digital de movimentos e gestos de atores que se incorporam ao desenho em 3D), já usada em "O Senhor dos Anéis" com o personagem Sméagol, que foi interpretado pelo ator Andy Serkis. Aliás, em "As Aventuras de Tintin", esse mesmo ator interpreta o valente o capitão Haddock.

O resultado é uma recriação absolutamente fiel da história em quadrinhos original, embora o roteiro misture várias aventuras do audacioso jornalista: "O Segredo do Unicórnio", "O Caranguejo das Pinças de Ouro" e "O Tesouro de Rackham: o Vermelho".

Neste filme, o célebre repórter se envolve em uma vingança que se perpetua por vários séculos depois de comprar uma réplica de uma escuna chamada "Unicórnio", propriedade de um antepassado do capitão Haddock que é arrebatada pelo malvado Sakharine (Daniel Craig), descendente do pirata Rackham: o Vermelho.

O diretor de "E.T.", "Parque dos Dinossauros" e "A Lista de Schindler" consegue dar a Tintin uma credibilidade que impacta o público desde o primeiro minuto, apesar de a batalha naval ser o momento culminante de seu virtuosismo técnico.

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