Thriller "À Beira do Abismo" mostra homem que ameaça se jogar de um hotel

Filme derrapa ao utilizar um amontoado de clichês e fazer uso de diálogos que beiram o constrangedor

Reuters |

Quantos clichês são necessários para destruir uma boa idea? Na verdade, não muitos - a julgar pelo resultado pífio do suspense "À Beira do Abismo", que conjuga um amontoado de chavões, seja nos personagens, nas situações ou nos diálogos risíveis.

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Sam Worthington e Elizabeth Banks em cena de "À Beira do Abismo": suspense abusa de clichês do gênero
A trama parte de uma situação extrema - um homem na beira da janela de um hotel em Manhattan ameaçando se jogar - para virar uma pirotecnia sem graça que, se questionada um pouquinho, não faz o menor sentido.

Os diálogos são repletos de frases de efeito e os personagens mais parecem figuras de papelão desfilando sua função na história: o policial injustiçado, cumprindo pena porque caiu numa armadilha, interpretado por Sam Worthington ("Avatar"); o especulador imobiliário megarrico e inescrupuloso (Ed Harris); a psicóloga que não conseguiu salvar seu último suicida e vive atormentada (Elizabeth Banks); a mexicana bonitona que vai ficar com pouca roupa a certa altura do filme e xingar em espanhol no final (Genesis Rodriguez); e por aí segue.

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Ed Harris é o inescrupuloso especulador imobiliário
Enfim, em "À Beira do Abismo" há mais clichês do que o filme tem direito. E pouco ajuda a falta de tato do diretor Asger Leth para lidar com esse amontoado de ideias surradas.

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A trama principal gira em torno de Nick (Worthington), policial que está cumprindo pena injustamente, foge durante o enterro do pai e vai parar no beiral de um hotel. Quando a polícia chega para salvá-lo, aos poucos ele revela seu plano para a psicóloga atormentada que vê nele a chance de se redimir e voltar a acreditar em si mesma e na sua competência.

Em paralelo, o irmão de Nick, Joey (Jamie Bell), e sua namorada mexicana (Genesis Rodriguez) colocam em prática uma ideia para provar a inocência do ex-policial. É um plano que nem MacGyver, personagem da série dos anos 1980 "Profissão Perigo", iria pensar com tantos detalhes nem lançar mão de tantas ferramentas e equipamentos.

Enquanto no alto do hotel está Nick e, no prédio ao lado, seu irmão e a namorada, no chão uma repórter de televisão inescrupulosa (Kyra Sedgwick) faz o que pode para que o rapaz se esborrache no chão, assim, ela terá uma tremenda reportagem. A multidão agrupada ao redor do prédio também parece compartilhar desse sádico desejo.

O final, como é de se esperar, é visível a milhas de distância. E Leth e o roteirista Pablo F. Fenjves fazem questão de não decepcionar, de não mudar uma vírgula das escolhas que seriam mais óbvias para concluir a história. Ao fim, fica a decepção de ver bons atores, como Harris e Worthington, dizendo diálogos que beiram o constrangimento.

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