"Thor" é um herói em busca de si mesmo, afirma Kenneth Branagh

Diretor do blockbuster fala ao iG sobre o filme, que tem Anthony Hopkins e Natalie Portman no elenco

Mariane Morisawa, especial para o iG, de Londres |

Divulgação
Tom Hiddleston (esq.) e Chris Hemsworth, em cena de "Thor"
Houve um momento "como assim?" quando Kenneth Branagh foi anunciado como o diretor da nova franquia dos estúdios Marvel, "Thor". Afinal, o ator e cineasta era conhecido pelos dramas e comédias shakespearianos, como "Henrique 5º" e "Muito Barulho por Nada". E ele sabe disso.

"Você tem razão, eu não era 'o' cara. Mas quem é o homem para fazer um filme sobre o sujeito que voa e tem uma capa, mora num asteróide no topo de um dos nove reinos do cosmos, visita a Terra e um planeta gelado, vive um romance e um drama dinástico com sua família complicada? É uma questão de quem pode ter interesse nesse tipo de tumulto", diz Branagh, comendo amêndoas e castanhas de caju sem parar na suíte de um hotel em Londres.

O que Kevin Feige, presidente do estúdio, provavelmente não sabia é que o diretor conhecia bem os quadrinhos e os personagens. "E eu assisto a todo tipo de filme", conta Branagh.

Na verdade, não é a primeira vez que os estúdios Marvel surpreendem na escolha de um diretor. Muita gente achou incomum a escalação de Jon Fravreau e Robert Downey Jr. para "Homem de Ferro", e ela deu muito certo.

"Eles estavam procurando alguém interessado em atuação, como eu sou." Na trama, afinal, Thor vai da arrogância suprema de um deus do trovão, eleito sucessor do pai, Odin, em Asgard, para a desgraça de ser exilado na Terra, sem poderes. Neste nosso planeta, encontra o amor - na pele da cientista Jane Foster -, flerta com a comédia e enfrenta o drama da disputa com o irmão do Mal, Loki.

A busca pelo ator que atravessaria tudo isso foi intensa, até porque diretor e produtores preferiam alguém pouco conhecido. O australiano Chris Hemsworth, o escolhido, não passou no primeiro teste - e seu irmão, Liam, quase ficou com a vaga, assim como o inglês Tom Hiddleston, que terminou ganhando o papel de Loki. No final, Chris foi chamado novamente, mandou um teste filmado pela mãe e conquistou o papel.

"Ele não teme ser agressivo ou pouco atraente. Ele precisava ser arrogante no começo e recriar a vulnerabilidade. A vontade de ir em direções extremas foi chave para a escolha", conta Branagh. "Fora que é o tipo de cara que, mesmo quando não está fazendo nada, faz você querer olhar para ele. Essa é a qualidade de um verdadeiro astro."

Hemsworth sabia que o desafio era grande e começou até mesmo antes das filmagens. "Nunca tinha feito um personagem com uma história de 40, 50 anos, e uma base de fãs dedicada, apaixonada e grande. Essa foi uma pressão extra", afirma.

Ele precisou se exercitar pesado durante mais de seis meses para conseguir chegar ao físico exigido pelo personagem. Hiddleston, que contracenou com Branagh no teatro e na televisão, garante não ter ficado chateado. "Não teria sido capaz de fazer o que Chris fez. Ele tem um charme natural, uma intensidade física, é forte, atlético, poderoso, nobre e carismático, e é disso que Thor precisa. Como sou interessado em complexidade psicológica, Loki me deixou animado." Seu personagem é um poço de ressentimento, por sentir que o pai sempre o preteriu em favor de Thor.

A presença de Kenneth Branagh no comando foi fundamental para atrair os atores que fazem outros dois personagens-chave, Odin e Jane Foster, interpretados respectivamente por Anthony Hopkins e Natalie Portman. "Foi uma das melhores experiências da minha carreira", disse Hopkins ao iG no "set visit" de "O Ritual".

Ele sonhava trabalhar com Branagh. Portman também confessou que o diretor foi a razão pela qual escolheu o projeto, filmado logo depois de "Cisne Negro". "Eu achei sua escalação uma escolha ousada e inteligente", disse ao iG no Festival de Veneza.

Um herói em busca de si mesmo

O diretor conversou durante três meses com o estúdio, expondo suas ideias. Branagh achava fundamental trazer Thor para a Terra contemporânea, para potencializar o romance com Jane Foster, sempre ameaçado pela distância de Asgard, e as situações de comédia - um deus do trovão andando pelo planeta tem várias chances para isso.

"Sempre quis que fosse uma jornada do personagem em busca de si mesmo, de sua identidade. É a história do filho pródigo. De uma posição privilegiada, ele cai em desgraça, perde-se, encontra-se e conquista alguma maturidade e sabedoria", diz.

Fora isso, ele não nega que viu tudo como um grande aprendizado, já que nunca tinha feito nada tão grande, com tantos efeitos especiais. "O orçamento era duas vezes maior do que todos os meus filmes anteriores somados", disse, rindo. "Sabia que seria como o primeiro dia de escola, todos os dias."

Abaixo, veja mais informações sobre o filme, em material da Paramount: 

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