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Tatiana Salem Levy debate verdades inventadas em Paraty

SÃO PAULO ¿ Ganhadora do Prêmio São Paulo de Literatura, finalista do Jabuti e selecionada para o Portugal Telecom, as mais importantes e vultosas premiações do gênero no País, Tatiana Salem Levy é uma estreante com estatura de veterana. Convidada para a Festa Literária Internacional de Paraty, a escritora vai debater o romance A Chave de Casa na tarde da próxima quinta-feira (02) na Tenda dos Autores.

Redação |

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Tatiana Salem Levy

Filha de brasileiros e neta de turcos, Tatiana nasceu por acaso em Lisboa em 1979, onde seus pais estavam exilados, longe dos braços da ditadura militar. Criada no Rio de Janeiro, a autora optou por transformar seu passado e o de sua família em uma espécie de relato autobiográfico, no qual realidade e ficção se misturam de forma simbiótica.

As portas para o meio editorial foram abertas graças a um conto publicado na coletânea "25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira" (Record, 2005). A narrativa curta atraiu a atenção tanto da editora Record quanto da portuguesa Cotovia, que, inclusive, colocou o livro no mercado lusitano antes dele chegar às livrarias brasileiras.

Interessante é que "A Chave de Casa" também serviu para a autora obter título de doutora em Estudos de Literatura pela PUC-RJ, uma opção que, apesar de não muito usual, vem obtendo reconhecimento no meio acadêmico nacional. "Quando decidi fazer o livro, decidi também mudar o tema do projeto de doutorado", conta Tatiana, em entrevista ao iG . "Me interessava por literatura e imigração, e minha orientadora, que sabia do romance, queria fazer algo diferente e me fez a proposta."

Na trama, a personagem ganha do avô a chave para uma casa em Esmirna, na costa do mar Egeu, cidade onde ele teria morado na Turquia e na qual ainda morariam parentes judeus. A viagem através do oceano serve como pretexto para o autodescobrimento e para relatos de diferentes momentos do passado, da chegada do avô ao Brasil à mão dura do regime militar, de relacionamentos à morte da mãe da narradora.

A conquista, no ano passado, da primeira edição do polpudo (R$ 200 mil) Prêmio São Paulo de Literatura na categoria estreante tornou concorrida a agenda de Tatiana. "Fui bastante chamada para eventos literários, para palestras, muito mais do que no primeiro ano do livro, que vendeu bem. Ganhei um espaço mais concreto, ainda mais se falarmos de um autor com seu primeiro livro", reflete.

Na Flip, a autora vai dividir com Arnaldo Bloch ("Os Irmãos Karamabloch") e Sérgio Rodrigues ("Elza, a Garota") a mesa "Verdades inventadas". Ainda que a princípio tenha questionado as semelhanças entre os três, Tatiana acabou por enxergar os pontos em comum e se diz ansiosa pelo encontro. "São três livros que trabalham contestando a memória, a realidade na ficção, o que aconteceu e não aconteceu", teoriza. "Em 'A Chave da Casa', a protagonista é herdeira da minha história, assim como Arnaldo é herdeiro dos Bloch. No livro do Sérgio, o enfoque cai na relação com a realidade."

Mesmo já tendo ido a Paraty, está será a primeira vez que Tatiana participará de fato da festa literária, já que na anterior não conseguiu ingressos para assistir aos debates. Na agenda, a vontade de ver as palestras de António Lobo Antunes, Milton Hatoum, Chico Buarque, Bernardo de Carvalho e da francesa Sophie Calle, cujo trabalho admira muito.

Enquanto não termina seu segundo livro ¿ sem prazo para não sentir pressão ¿, a autora vê em breve duas de suas traduções serem lançadas pela Record: a biografia em quadrinhos da modelo francesa Kiki de Montparnasse e "A Teoria das Nuvens", romance de estreia do premiado francês Stéphane Audeguy.

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