"Skyline - A Invasão" é perda de tempo

Ficção científica genérica esquece história e aposta em efeitos sem brilho

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação
Alienígenas sobrevoam Los Angeles: os vilões indestrutíveis de "Skyline"
Os irmãos Greg e Colin Strause têm um imenso currículo como diretores de efeitos especiais ("X Men", "Homem de Ferro 2", "O Curioso Caso de Benjamin Button") e usam isso a seu favor – a publicidade de "Skyline - A Invasão", seu segundo filme como cineastas, que estreia nesta sexta-feira (dia 3) no país, destaca o fato da dupla ter trabalhado no arrasa-quarteirão "Avatar" para chamar a atenção dos desaviados. Um olhar mais atento, no entanto, mostra que os Strause já haviam comandado a bomba "Aliens vs. Predador 2" (2007). Nesse caso, o novo trabalho não serviu como redenção: é tão ruim quanto o primeiro.

No início, há um esboço de história. Jarrod (Eric Balfour) e a namorada, Elaine (Scottie Thompson), viajam a Los Angeles para o aniversário de um amigo, Terry (Donald Faison, da série "Scrubs"), que se deu bem na indústria do cinema. Elaine confessa estar grávida, Jarrod pensa em se mudar, Terry tem uma amante (Crystal Reed), sua mulher (Brittany Daniel) fica possessa e aí tudo fica de lado com a queda de meteoros azuis do céu. São eles, os alienígenas, em doses nem tão generosas de CGI.

Naves atraem os humanos com uma estranha luz hipnótica e sugam milhares para seu interior. Os ETs contam com pequenas unidades móveis, cheias de tentáculos, como no mundo real de "Matrix", além de jatos e monstros do tamanho de prédios. Serviços de emergência não funcionam, TVs estão fora do ar, o exército não é páreo para os inimigos. Os amigos da trama inicial se vêem, então, encurralados numa cobertura luxuosa e, bem, para que a trama vá para frente, resolvem sair e tentar a sorte na rua. Nem é preciso dizer que se trata de uma péssima ideia.

O interesse de "Skyline - A Invasão" termina mais ou menos por aí. Sem querer explorar qual é o interesse dos invasores – metade máquina, metade seres vivos –, de onde eles vêm nem explicar direito a razão de quererem tantos corpos, resta ver todo mundo correr gritando de um lado para o outro, desviando de luzes e efeitos especiais, a princípio seu grande trunfo, que se revelam apenas ok – nem isso se destaca, e o fato de ser uma produção de baixo orçamento já não é mais desculpa ("Distrito 9" está aí para provar o contrário). O elenco B não ajuda, assim como as situações clichê do gênero. Qual é a graça de saber a ordem em que os personagens morrem? Ninguém, imagina-se, se sente mais esperto por causa disso.

O desfecho, que demora a chegar, não se decide entre ser piegas, cruel com o espectador ou completamente surreal – o que não é um elogio. A brecha para uma sequência, então, só deixa tudo mais constrangedor. Há quem taxe "Skyline" de um produto genérico para consumo rápido. Não se anime: é péssimo. E só. Amparado por marketing, o lançamento nos Estados Unidos fez com que o filme se pagasse já no primeiro final de semana – custou US$ 10 milhões, arrecadou US$ 11 milhões, ponto final. Isso deve animar os irmãos Strause a continuar dirigindo. Infelizmente.

Assista ao trailer de "Skyline - A Invasão":

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