"Sherlock Holmes 2" é um amontoado desconexo de ação e piadas sem graça

Continuação do filme de 2009 traz de volta Robert Downey Jr. no papel do detetive criado por Arthur Conan Doyle

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Um amontoado desconexo de cenas de ação, muita câmera lenta e uma overdose de piadas sem graça. Todas as marcas registradas do diretor Guy Ritchie estão presentes em " Sherlock Holmes : O Jogo das Sombras", continuação do filme de 2009 que trouxe Robert Downey Jr. como o famoso detetive criado por Arthur Conan Doyle. Jude Law é Watson, seu ajudante. 

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Robert Downey Jr. em 'Sherlock Holmes: O Jogo das Sombras'

Desta vez, Holmes investiga uma série de assassinatos e atentados a bomba na Europa. Por trás de tudo, obviamente, está seu arquirrival, o professor James Moriarty. Ao mesmo tempo, o detetive tenta impedir o casamento de seu ajudante Watson e, quando não consegue, dedica-se a atrapalhar a sua lua-de-mel.

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Jude Law e Robert Downey Jr em "Sherlock Holmes - O Jogo de Sombras"
De alguma maneira, os planos de Moriarty envolvem a cigana Madame Simza, vivida pela sueca Noomi Rapace, em sua estreia em Hollywood. Após uma série de reviravoltas, Holmes descobre que Moriarty está tentando provocar uma guerra na Europa para lucrar com a venda das armas produzidas pelas indústrias que ele secretamente vem comprando.

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Não se preocupe – esse spoiler não prejudica em nada o filme (sem contar que não é preciso uma capacidade de dedução como a de Holmes para descobrir o plano de Moriarty antes da metade do longa). Guy Ritchie, aparentemente, não está nem um pouco preocupado com a história. O que importa é povoar a tela com o maior número possível de efeitos para impressionar o público.

Às vezes, a tática funciona. A cena em que Holmes, Watson e Madame Simza têm de fugir por uma floresta enquanto um exército dispara tiros, granadas, bombas e balas de canhão contra eles é emocionante. Mas só. O resto é aquela sucessão de socos e explosões padrão de um blockbuster hollywoodiano. E em câmera lenta, ainda por cima.

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Outro ingrediente tão importante quanto a ação é o humor. O principal responsável é Stephen Fry, que interpreta o irmão mais velho de Sherlock Holmes, Mycroft, e consegue arrancar alguns risos. 

O problema é que, no geral, as piadas são muito sem graça – a certa altura, o roteiro apela até para um Sherlock vestido de mulher para fazer rir. Coisa de filme dos Trapalhões.

Sobra o carisma de Robert Downey Jr. para carregar o filme nas costas. Ele faz um bom trabalho. Seu Sherlock Holmes é um heroi atípico, ambíguo e cheio de defeitos (em que outro blockbuster poderia haver um heroi viciado em formol?). São características interessantes, que poderiam render bem nas mãos de um cineasta talentoso. Não é o caso de Guy Ritchie.

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