"Sexo Sem Compromisso" faz graça com relações modernas

Ao lado de Ashton Kutcher, Natalie Portman levanta bandeira do sexo casual em comédia romântica mediana e repleta de chichês

Lúcio Ribeiro, colunista do iG |

Divulgação
Ashton Kutcher e Natalie Portman, amigos que não querem relacionamento em "Sexo Sem Compromisso"
O engraçado dessa comédia romântica "Sexo Sem Compromisso", que estreia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros trazendo como protagonistas a premiada Natalie Portman e o "rei do twitter" Ashton Kutcher, está muito menos no filme em si e mais do jeito como o espectador chega à sessão e principalmente como sai dela.

O desafio inicial é olhar para Portman e de repente não vê-la mais como a dançarina psico-recatada de "Cisne Negro" , papel que lhe rendeu recentemente o Oscar 2011 de melhor atriz e que não saiu do imaginário do cinéfilo, filme mais premiação, de tanto que foi visto, analisado, discutido.

Em "Sexo Sem Compromisso", tradução fácil e quase besta do original em inglês "No Strings Attached" (algo como "Sem penduricalhos"), Portman é Emma, uma estudante de medicina aparentemente bem resolvida e que quer fazer muito sexo, desde que não tenha sentimentos, paixões, compromissos "atachados" nessa "diversão". Veja, agora Portman vem às telas segurando a bandeira do sexo casual.

Seu parceiro na empreitada é o caçador-de-relacionamentos-sérios Adam (Kutcher), assistente de uma produção barata de uma TV inexpressiva que se julga sem sorte no amor, talvez porque descobre que sua ex-namorada o trocou pelo pai desmiolado. Adam e Emma, mostra o filme no começo, vêm tendo encontros inofensivos patrocinados pelo destino desde a infância, num acampamento escolar, depois na época louquinha da faculdade e, voilà, agora na idade adulta, quando finalmente chegam "às vias de fato" e fazem um pacto para que o sexo não arruine a amizade, uma imposição inicial de Emma que tanto Adam quanto qualquer pessoa que já assistiu a uma comédia romântica desde os tempos de Meg Ryan e Julia Roberts sabe como a história vai acabar.

"Sexo Sem Compromisso" é um filme mediano em todos os seus clichês. É o chamado "filme Sessão da Tarde". Mas chega a ser esquisito em sua forma. A ideia tão em voga na juventude urbana século 21 (que compreende a faixa dos 15 aos 50 anos) de que o bom mesmo é transar com várias pessoas sem se afundar em relacionamentos monogâmicos estáveis, passada pelo filme, ficou mais na ideia do roteiro do que na sua realização final.

A opinião de que Natalie Portman, já às voltas com um filme de potencial oscarizável, se sujeitou a esse papel fácil só por diversão, porque quis mostrar que hoje é uma atriz nível A e que escolhe o filme que quer protagonizar, é justificada pela própria atriz, que disse ter feito "Sexo Sem Compromisso" exatamente para não ficar marcada pela dançarina atormentada de "Cisne Negro". Acreditemos.

Mas, mesmo inofensivo, "Sexo sem Compromisso", pode estar, digamos, servindo como "apontador de tendências". A diferença entre ou a nova utilização para os binômios de relacionamentos "amor e sexo", "tabus e tolerâncias", "paixão ou diversão", que em uma antiga civilização já foi chamado de "amizade colorida", está chegando em massa aos cinemas, sob o termo "friends with benefits", algo como "amizade com benefícios extras".

A "modalidade" já foi devidamente apresentada não faz tempo com o seriado "Sex and the City", era esboçada em "Friends" e frequentou os cinemas com filmes como "Amor Sem Escalas", estrelado por George Clooney e, mais recentemente, "Amor e Outras Drogas", cujo parzinho do pacto "não vamos nos apaixonar" era Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal.

"Sexo Sem Compromisso" é o exemplo da hora. E chega junto com um filme chamado exatamente de "Amigos com Benefícios" ("Friends with Benefits", no original), "romcom" estrelada por Justin Timberlake e Mila Kunis, prevista para estrear no Brasil só em setembro.

A regra é clara: dada ao absurdo índice de divórcio alcançado nos anos 1990 e 2000, a galera sexualmente ativa da casa dos 20 e 30 anos não tem tempo para relacionamentos sérios e/ou parece não ser muito emocionalmente preparada para rompimentos doloridos.

Enfim, chegamos à discussão se "amizades com benefícios extras" podem dar certo. E o cinema, com "Sexo Sem Compromisso", se mete forte na conversa e começa a ajudar na resposta. Ou não.

Assista ao trailer de "Sexo Sem Compromisso":

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