Senhor amargo ganha cadeira no cinema

Antonio Abujamra é o espetáculo de Solo, monólogo que o cineasta Ugo Giorgetti lança em São Paulo

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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Antonio Abujamra faz reflexões amargas sobre sua vida no monólogo Solo , de Ugo Giorgetti
Não há muito que explicar sobre Solo , longa-metragem estrelado exclusivamente pelo provocador Antonio Abujamra e dirigido por Ugo Giorgetti, que tem no currículo os filmes Sábado , O Príncipe e Boleiros .

Nele um senhor fala diretamente para a câmera sobre suas angústias, perplexidades e teorias sobre um mundo que não é mais aquele que conheceu. Representante da classe média paulistana, o personagem analisa as mudanças do bairro onde mora, como a destruição da casa onde viveu o político Adhemar de Barros, e reflete sobre a própria solidão, fazendo exatamente aquilo que fora educado para não fazer. Afinal, como ele diz, "revelar qualquer coisa sobre si mesmo é feio e incomoda as outras pessoas".

"O fato de sair muito pouco e cada vez menos diminui talvez o meu desgosto", explica o senhor em outro momento, pouco antes de falar sobre seu desapego pelos cães - passagem que deve encontrar concordância em parte dos espectadores, enquanto a maioria certamente ficará indignada com suas resoluções e ideias nunca concluídas.

Enquanto abre o coração para a câmera, o homem ganha outros contornos com as imagens do fotógrafo Bruno Giovannetti, que são exibidas ao fundo ou em breves intervenções e que não necessariamente tem alguma conexão com o fato contado.

Apesar dos momentos curiosos, como as ligações para pessoas desconhecidas de outros países ou as gafes ocorridas ao lado da esposa, Solo ainda é um monólogo e, por isso, cansativo. Ciente de que um filme desse tipo é apreciado por poucos, Giorgetti disponibilizou o longa-metragem em um horário único, às 18h00, no Espaço Unibanco, em São Paulo.

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