Selton Mello acerta em "O Palhaço"

Em seu segundo filme como cineasta, ator diverte e emociona; grande público quase provocou tumulto em Paulínia

Marco Tomazzoni, enviado a Paulínia | 09/07/2011 11:35

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"Sabia que o Selton era popular, mas nem tanto." Essa foi a frase da apresentadora Marina Person ao subir ao palco do Paulínia Festival de Cinema, depois de uma hora e meia de atraso do início da projeção de "O Palhaço", segundo filme dirigido por Selton Mello, na noite de sexta-feira (08). A enorme fila em frente ao Theatro Municipal, depois da exibição do documentário "Uma Longa Viagem", atravessava todo o tapete vermelho, dobrava pela calçada e seguia adiante. Dentro do teatro, pessoas paradas em linhas que davam voltas e voltas esperavam sua vez de entrar.

Foto: Divulgação

Selton Mello em "O Palhaço": jornada de autodescobrimento com doçura e genuinidade

Houve princípio de tumulto, contornado com a promessa de que se fariam quantas sessões fossem necessárias. Funcionou: na madrugada de sábado, depois das celebridades esvaziarem a sala, 500 espectadores assistiam ao filme. É verdade que "O Palhaço" foi quase todo rodado em Paulínia, mas não deixa de ser uma prova da popularidade do ator que se tornou diretor. Um filme, então, que se propõe a investigar a magia circense, uma comédia com um tipo de humor que não se faz mais, tem apelo quase que imediato ao público.

Selton Mello: "Queria fazer um filme para o grande público"; leia entrevista ao ator ao iG

Público que vai ao cinema ver Selton Mello e, de fato, só dá ele em cena. Benjamim é o palhaço Pangaré, que coordena com o pai, o também palhaço Puro Sangue (Paulo José, soberbo), o Circo Esperança, uma trupe itinerante no interior do país, talvez na década de 1980. Ele faz as rotinas típicas do personagem, diverte a plateia no picadeiro, só não é feliz. Benjamim tem a fala baixa, sobrancelhas caídas e ar melancólico – melancolia, aliás, que dá o tom nos bastidores (curioso como um nariz de palhaço na testa pode traduzir tristeza). Um depressivo em potencial, vivendo em conflito. "Eu faço o povo rir, mas quem vai me fazer rir?", pergunta em determinado momento.

É uma história de autodescobrimento clara e direta, sem firulas. Essas sobram para adornar o filme, um primor visual. O figurino, direção de arte e fotografia fazem não só o circo explodir em cores, mas até mesmo a terra vermelha, os canaviais e as casas judiadas do interior brasileiro. "O Palhaço" naturalmente enche os olhos. E os ouvidos, graças ao belo desenho de som e à trilha sonora inspirada de Plínio Profeta.

<span>Selton Mello e Paulo José posam no Paulínia Festival de Cinema, na noite de sexta-feira</span> - <strong>Foto: Futura Press</strong> <span>Fila para entrar no Theatro Municipal de Paulínia para assistir "O Palhaço"</span> - <strong>Foto: Futura Press</strong> <span>Público se aglora na porta do teatro da cidade</span> - <strong>Foto: Futura Press</strong>

Preenchendo a jornada de Benjamim estão esquetes de humor ingênuo, porém muito eficazes. A turma do circo se encarrega disso, das figuras esdrúxulas (o anão, a mulher peituda, o magrelo estranho) às tradicionais (o mágico, os músicos, a dançarina exótica). Há, também, as participações célebres – são muitas, mas o destaque fica por conta de Tonico Ferreira, Jorge Loredo e Moacyr Franco, numa sequência hilariante.

O acerto é que as piadas não apenas divertem, mas ajudam a estabelecer a ideia de família naquele grupo. A identificação com o espectador acontece e, por isso, "O Palhaço" emociona. Emociona também pelo anacronismo, um espírito inocente personificado pela menina que acompanha a trupe e que se espalha por toda a trama. Filmes com essa doçura e genuinidade, comuns ao universo circense, ficaram perdidos no tempo.

Selton Mello resgata essa energia e apresenta uma atuação contida, menos histriônica, embora ao mesmo tempo particular – difícil imaginar outra pessoa em seu lugar. Como cineasta, conseguiu domar as afetações que atrapalhavam o drama de "Feliz Natal" (2008), sua estreia em longa-metragem, e transformou isso em estilo. Opta por enquadramentos estudados, planos silenciosos e um humor peculiar, que remete a "O Cheiro do Ralo" – caso, por exemplo, da obsessão de Benjamim por ventiladores.

Dependendo do lançamento que tiver nos cinemas, "O Palhaço" possui potencial para gerar certo boca a boca e acontecer nas bilheterias. Carisma, simpatia e um astro popular, isso ele já tem.

* O repórter viajou a convite do festival

Assista ao clipe de "O Palhaço"

 

 

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