São Paulo Cia de Dança no cinema

Documentário exibido em Paulínia registra preparação de espetáculo do grupo

Marco Tomazzoni | 18/07/2010 16:52

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Documentarista incansável, Evaldo Morcazel tem lançado ao menos um filme por ano desde 2003 – só no ano passado, foram três (Quebradeiras, BR3 e BR3 - documentário). Enquanto Raul – O Início, o Fim e o Meio, sobre o cantor Raul Seixas, continua na gaveta, Morcazel exibiu no Festival de Paulínia São Paulo Cia de Dança, sobre o grupo homônimo bancado pelo governo paulista e que, para o diretor, é uma “declaração de amor à dança”.

Foto: Divulgação

O documentário São Paulo Cia de Dança

O filme é um registro dos primeiros meses de vida da companhia, criada em 2008, e da gestação do espetáculo Polígono. Sem entrevistas, cabe aos ensaios e movimentos narrar a história, neste que, depois de Quebradeiras, é o segundo trabalho sem diálogos de Mocarzel. “A palavra é coadjuvante, acidental”, definiu o cineasta na apresentação do filme. “Tanto a dança quanto o cinema podem prescindir da fala.”

De fato, os primeiros minutos do documentário são de uma beleza ímpar. Usando o que o diretor chama de “body cams”, câmeras (nem tão leves) acopladas no corpo, bailarinos conseguiram registrar imagens belíssimas: o corpo permanece em foco, quase imóvel, e a sala inteira gira para o espectador. Planos fechados, buscando detalhes e formas inusitadas no corpo humano, inclusive do ponto de vista dos dançarinos, ajudam a compor esse quadro de suor, saltos, braços entrelaçados e muita disciplina nas coreografias.

Quando Morcazel aposta nesses ângulos diferentes, que ele chegou a definir como “sinfonia sensorial sobre o corpo”, o filme cresce, mas essa faceta é apenas um pequeno detalhe do todo. Em geral, o longa é bastante conservador, contrapondo imagens dos ensaios na sede da companhia e o espetáculo final, gravado no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. O cansaço, dor e até pânico dos bailarinos vêm à tona de forma discreta, porém visível. Sequências se dedicam a explorar com minúcia as mãos e pés dos artistas. Pés maltratados, cheios de calos, esparadrapos e não raro feridas abertas.

Das 100 horas de material, foram aproveitados 71 minutos. A impressão, no entanto, é de muito mais. Por privilegiar apenas a dança e trilha sonora, Mocarzel estica demais a narrativa e acaba perdendo o espectador ao longo da projeção – as diversas de pessoas que abandonaram o Teatro Municipal durante o filme são sintomáticas. Pela força das imagens, São Paulo Cia de Dança daria um ótimo curta ou média-metragem.

* o repórter viajou a convite do festival

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