Sangue e fantasia na sexta edição do Fantaspoa

Evento gaúcho dedicado ao cinema fantástico caminha para o reconhecimento internacional

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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Cena de "Tucker & Dale Enfrentam o Mal", um dos filmes que concorre na competição do Fantaspoa
Tem início nesta sexta-feira (02.07) o VI Fantaspoa - Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre, evento que traz para a capital gaúcha 138 filmes de gêneros como fantasia, ficção-científica, horror e thriller - divididos entre curtas e longas-metragens.

Além de uma Mostra Competitiva de longas-metragens, que conta com 37 filmes de 21 países, o evento terá 14 sessões comentadas pelos próprios cineastas - dos quais 11 são convidados internacionais, como Eli Craig, de "Tucker & Dale Enfrentam o Mal".

O homenageado deste ano é o cineasta italiano Luigi Cozzi, que ganha uma retrospectiva de sua obra com 14 filmes dirigidos ou roteirizados por ele, com destaque para os curiosos "Hércules" e "As Aventuras do Incrível Hércules", ambos estrelados pelo ator Lou Ferrigno.

Como ocorreu na edição passada, o público poderá participar de dois os cursos teóricos ministrados pelo jornalista Carlos Primati: "O Horror no Cinema Brasileiro" e "A Ficção Científica da Década de 1950", cada um com um total de 8 horas de duração.

Em entrevista ao iG , um dos diretores do Fantaspoa, João Pedro Fleck, conversou sobre a produção nacional de cinema fantástico, o aumento de filmes recebidos pela organização do evento e a busca pelo reconhecimento internacional.

Qual a sua relação com os filmes de terror e cinema fantástico? Existe algum título preferido ou cineasta que você admire nesse meio?

Diversos. Sou cinéfilo desde os sete anos de idade, sem exagero nenhum! Fizemos uma conta e eu tinha assistido mais de 10 mil filmes. Só em casa tenho sete mil entre fitas de VHS, DDs, Blue Ray, algumas coisas em Beta... Mas um cineasta que é referência para mim é o Stanley Kubrick, em minha opinião o melhor diretor da história.

Reprodução
A atriz Caroline Munro em Stacrash , de Luigi Cozzi
Essa é a sexta edição do Fantaspoa - Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre. Na sua opinião o que mudou para melhor na edição deste ano em relação as anteriores?

É um negócio amplo. Estamos recebendo 11 cineastas internacionais e toda noite a gente têm sessão comentada com um diretor - de fato que esse é o festival de Porto Alegre que mais recebeu diretores na história.

Outra coisa é o fato de termos muitos filmes recentes de 2009, alguns de 2010, e os filmes em si de muita qualidade, que têm ganhado prêmios grandes ao redor do mundo. O objetivo do evento não é ser um festival importante no Rio Grande do Sul, mas o maior da América Latina e referência mundial.

Estamos trabalhando cada vez mais para estreitar nossa relação com sites e veículos de comunicação internacionais, buscando um reconhecimento que permite que a cada ano tenhamos mais filmes consagrados, com atores famosos... Acho importante deixar claro que somos um festival de gênero, mas não apenas focados no público que gosta de terror ou ficção científica. Se você gosta de cinema, vai gostar do Fantaspoa. Mais do que exibir filmes de terror ou fantasia, queremos exibir filmes de qualidade.

Qual foi o ponto de partida para a escolha dos filmes das mostras competitivas?

Na verdade a competição principal tem diversos critérios específicos. As produções precisam ser live-action e ter no máximo quatro anos. Com isso em mente analisamos os mais de cem filmes que recebemos e assim chegamos ao total de 37.

Isso mostra que nossa taxa de aceitação é pequena, menos que 1/3 dos filmes entram na Mostra. Chegamos num nível em que recebemos muitos filmes e podemos selecioná-los mais - curtas desse ano foram mais de 800! Mas um dos nossos principais objetivos é fornecer aos espectadores algo que eles não verão em outros lugares.

Por que uma mostra especial dedicada ao diretor italiano Luigi Cozzi? Como você avalia a obra do cineasta e qual dos filmes exibidos você recomendaria a alguém que nunca viu nenhum de seus trabalhos?

Um dos melhores filmes dele é o "Matador Implacável", que vamos exibir. Mas por relevância, não pela qualidade em si, tanto os "Hércules" com o Lou Ferrigno, que marcaram uma época, como o "Starcrash", que é um misto de paródia e homenagem ao "Star Wars", são importantes.

Na última noite do festival exibiremos a parceria dele com o Dario Argento, que é "Quatro Moscas Sobre Veludo Cinza", filme raríssimo, quase nunca exibido no Brasil, com uma cópia muito boa. Uma sessão imperdível!

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"Vampire Girl Vs. Frankenstein Girl": longa-metragem japonês é uma das curiosidades do Fantaspoa
Nesta edição o jornalista Carlos Primatti vai ministrar duas oficinas curiosas: "O Horror no Cinema Brasileiro" e "A Ficção Científica da Década de 1950". De onde surgiram essas idéias?

É uma parceria que começamos no ano passado, com a oficina "História do Cinema de Horror".
Na ocasião foram 20 vagas que esgotaram rapidamente. O pessoal adorou. Pensamos em possíveis cursos para esse ano e como ele já vinha trabalhando com cinema brasileiro resolvemos discutir a presença do fantástico na produção nacional.

O outro tema talvez seja mais curioso, pois o Carlos não é muito ligado em ficção científica, e aqui dentro do Fantaspoa ele conheceu um especialista chamado Marcelo Severo, que deu uma palestra impagável no ano passado sobre o filme "Rei Dinossauro".

O Primati assistiu e se apaixonou pela temática. Nos doze meses seguintes ele se aprofundou no tema, viu filmes da década de 1950, com subgêneros como os de bomba atômica, monstros gigantes, e disso surgiu o curso, que terá a participação do Marcelo Severo.

Como você avalia a produção de filmes dos gêneros que englobam o fantástico no cinema brasileiro?

A revolução digital permite que você faça um filme com menos grana. Vai depender da sua criatividade e emprenho. Você não pode esperar ganhar um orçamento enorme - para padrões brasileiros - de R$ 1 milhão ou R$ 500 mil... Esse pessoal está fazendo longas-metragens com R$ 150, R$ 200 mil... Muita gente de qualidade querendo trabalhar.

Além disso, no exterior os festivais têm 30 anos enquanto no Brasil nós temos apenas seis. Essa situação tem tudo para mudar. Em termos de curtas a gente sente uma mudança marcante. O pessoal está se esforçando. Hoje em dia temos outros diretores, Kapel Furman, nesse momento esta finalizando seu 1 longa, "Pólvora Negra" - um faroeste com toques de horror. Quantas vezes isso foi feito no Brasil?

Serviço

VI Fantaspoa - Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre
duração: de 02 a 18 de julho
programação no site oficial: www.fantaspoa.com/2010

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