Sandro Rocha, o miliciano de “Tropa de Elite 2”, testa sua popularidade nas ruas do Rio

Ator que interpreta o major Russo topou o desafio de ouvir o que o público acha das maldades de seu personagem

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro | 28/10/2010 07:00

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Sandro Rocha, o major Russo de "Tropa de Elite 2"

Até pouco tempo atrás, andar pelas ruas do Méier, bairro do subúrbio carioca, era tarefa simples para Sandro Rocha. Desde que “Tropa de Elite 2” estreou em mais de 600 salas de todo o País, no dia 8 de outubro, o ator já não consegue dar alguns passos sem ser interrompido. Rocha interpreta o major Russo, chefe de um grupo de ex-policiais que atuam em uma milícia em favelas cariocas, no longa de José Padilha. É considerado o grande vilão do filme, o antagonista do Capitão Nascimento (Wagner Moura). Grita, tortura, manda matar, mata. Sem piedade, com frieza no olhar. Mas ao contrário do que acontece com atores que interpretam vilões em novelas, Sandro tem recebido elogios e comentários divertidos sobre sua atuação.

A reportagem do iG acompanhou o ator na frenética rua Dias da Cruz, centro comercial do Méier, e constatou que a sua popularidade anda bastante em alta. Durante todo o tempo, a entrevista foi interrompida por gente que queria tirar foto ou lhe pedir autógrafos. “Você é muito mal. Como eu torci para você morrer no filme!”, disse uma mulher, com um cachorrinho nos braços. “Não queria te ver por perto nem pintado de ouro, quando acabei de ver o filme”, disse outra, com a câmera do celular apontada para ele.

Foto: George Magaraia

Sandro Rocha, o major Russo de "Tropa de Elite 2"

Sandro, claro, ri. Ele tem se divertido bastante com a reação do público. Antes do filme, era um desconhecido ator, apesar de já ter feito, segundo seus cálculos, mais de 200 participações em novelas e seriados da TV Globo e da Rede Record. O

major Russo não é, porém, seu primeiro policial corrupto na carreira. “Já interpretei um miliciano no seriado ‘Força Tarefa’. Era o capitão Dias”, recorda.

Junto com a pingada carreira artística, ele também se dividia em outra ocupação, a de gerente de vendas. “Usava terno de manhã, indo de empresa em empresa, vendendo bens e serviços diversos. Quando pintava algum trabalho, já tinha na mala do carro uma roupa reserva para ir direto para o estúdio gravar”, conta. Em “Passione”, Sandro fez uma rápida aparição, como um investigador da polícia.

Foto: George Magaraia

Sandro é parado nas ruas para tirar fotos e dar autógrafos

“Sou da paz”

Flamenguista, pai de três filhos e casado com uma psicóloga há 13 anos, ele garante que não tem nada a ver com o personagem das telonas. “Sou da paz, não gosto de violência”, diz. Morador de uma área carente e desprovida de atividades de lazer, Sandro tem um projeto social para levar arte e cultura para mais de cem crianças carentes.

Para que o projeto saia do papel, falta apenas patrocínio. E ele não vai desistir, nem que para isso tenha que recorrer ao “sistema”, como prega o filme de Padilha. “Não queria pedir para político, preferia que a iniciativa privada me ajudasse. Mas se tiver alguém querendo ajudar, não tenho por que recusar”, diz. Segundo seus cálculos, são necessários R$ 60 mil por mês para manter a ONG.

O ator se diz contra a pena de morte ou mesmo a prisão perpétua. Mas defende a diminuição da maioridade penal para 14 anos. É a favor das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), com ressalvas. “As UPP’s estão fadadas ao fracasso, se não vierem acompanhadas de um projeto mais amplo, de levar cultura aos moradores”, critica.

Foto: George Magaraia

Morador do Méier, bairro do subúrbio carioca, Sandro também era gerente de vendas

Foto com “miliciano”

Enquanto caminha pelas ruas, Sandro é chamado para tirar foto até dentro das lojas. Em uma delas, os vendedores chegam a esquecer os clientes de lado para celebrar a presença dele por ali. O assédio não cessa nem quando Sandro para em uma pizzaria, para comer uma fatia de calabresa. “Posso tirar uma foto com você, miliciano?”, pede um jovem que logo identifica o ator. Sandro, pacientemente, atende a todos.

Convites para novos trabalhos já surgiram. Sem ter nada fechado, ele faz mistério sobre os próximos passos. Diz somente que agora quer um papel do bem, para “limpar sua imagem”. Se depender do público das ruas, o major Russo ainda vai ser xingado muitas vezes.
 

Foto: George Magaraia

Até a vendedora de uma loja para seu trabalho para tietar o "miliciano" do filme de José Padilha

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