A produtora Mariza Leão fala sobre o que há por trás do sucesso do filme que já ultrapassou a marca de 3 milhões de espectadores

Mariza Leão, produtora de sucesso no cinema nacional
Reprodução
Mariza Leão, produtora de sucesso no cinema nacional
Não, não é um filme “mulherzinha”. Não, também não é um filme erótico. Se você não é um dos mais de três milhões de espectadores que já conferiram a comédia romântica “De Pernas pro Ar”, talvez até se deixe levar pelo que o nome do filme possa passar de início. “De Pernas pro Ar”, com direção de Roberto Santucci, conta o drama da personagem Alice, vivida por Ingrid Guimarães, que tenta se equilibrar entre a relação com o marido e o filho e o trabalho como executiva de sucesso. Daí, ela descobre as maravilhas do sexo com a ajuda de uma vizinha dona de um sex shop (interpretada por Maria Paula). A partir disso, tudo são risos.

Mariza Leão é a produtora do longa que se tornou o sucesso nacional da temporada, pelo que indicam os números de bilheteria. Em conversa com o iG , Mariza - que tem na carreira outros bons títulos de sucesso, como "O Homem da capa preta", "Guerra de Canudos", Onde anda você", entre outros - falou dos preconceitos que circularam em torno da recente produção antes mesmo, com o perdão do trocadilho, de deixar as salas de cinema “de pernas pro ar”.

iG: Como explicar o sucesso do filme?
MARIZA LEÃO: Se eu soubesse, faria só sucessos ( risos ). É difícil explicar. Vou tentar... Primeiro, é um gênero onde o cinema nacional tem tradição de navegar bem. Segundo, tem um mote original, causou interesse da mídia e do público. Terceiro, a Ingrid está num momento esplendoroso.

iG: Qual é a porcentagem de importância de um ator bem escalado no sucesso de um filme?
MARIZA LEÃO: Sucessos brasileiros estão quase sempre ligados a protagonistas. Tony Ramos com “Se eu fosse você”, José Wilker com “Dona Flor e seus dois maridos”, Wagner Moura com “Tropa de Elite”, Gloria Pires com seus filmes também... Quer dizer, quando se tem a sorte de escalar a pessoa certa para o filme, e ela faz um voo solo brilhante, o sucesso é garantido. Somado ao trabalho de direção e de todo o elenco, cabe ao protagonista carregar a responsabilidade da simpatia com o público.

iG: Ainda durante as filmagens o filme se chamaria “Sex Delicia”. Houve rejeição a este nome?
MARIZA LEÃO: Fizemos pesquisa de público para saber o índice de aceitação do nome provisório. Isso é fundamental hoje em dia para fazer o marketing correto do filme. Me surpreendi com uma rejeição absoluta ao nome, porque parecia filme erótico, pornochanchada ou coisa do gênero. Imediatamente respeitamos esta percepção e trocamos o nome do filme em 24 horas.

Ingrid Guimarães:
Divulgação
Ingrid Guimarães: "Ela é parte importante do sucesso do filme"
iG: Isso mostra que o público brasileiro é careta quando o assunto é sexo?
MARIZA LEÃO: A palavra nem seria careta, mas conservador. “Sex Delícia” realmente pode propor que o filme é erótico. Mas nós que fazemos cinema, TV, teatro, música, literatura, temos comportamento liberal nas nossas relações, que não necessariamente condiz com a média de comportamento do brasileiro. E temos que respeitar isso.

iG: Apesar do foco central da trama ser o universo feminino, é um filme que tem agradado ao público em geral. A que se deve isso?
MARIZA LEÃO: Sempre insistimos que o filme deveria ter este foco, como mote a mulher workaholic, mulher ligada ao trabalho, e trabalhar a questão da família. Queríamos falar da mulher contemporânea. Não é um filme para mulher, mas para a família.

iG: “A Partilha”, “Divã”, entre outros... O cinema brasileiro enfim descobriu o nicho do filme com temática feminina?
MARIZA LEÃO: Sim, mas não é que o cinema brasileiro demorou. O mundo demorou a colocar a mulher como protagonista. Temos mulheres presidentes, ministras mulheres, reunião do FMI com várias mulheres, mulheres ocupando cargos de confiança em empresas... Na verdade, o cinema, assim como percepção comportamental do mundo, demorou para dar lugar a mulher. Mas não é exclusividade da

Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "De Pernas pro ar", sucesso do verão
produção artística ter demorado a dar este lugar de direito. Cada vez mais as mulheres tendem a ocupar posições de destaque.

iG: Mulher vai mais ao cinema?
MARIZA LEÃO: Mulher vai mais ao cinema do que o homem, com certeza. Quem decide o filme que o casal vai ver, em geral, é a mulher. Na hora de entrar no cinema, é o ‘vem cá meu bem, meu amor’... e a palavra final é da mulher. O homem quer agradar a mulher na hora de definir o cinema. Ele cede, na maioria dos casos.

iG: Próximos projetos?
MARIZA LEÃO: Vou produzir “Totalmente Inocente’, de Rodrigo Bittencourt, que é uma paródia do “favela movie”. Também estou produzindo o novo filme do Sergio Rezende (seu marido), “Jardim Secreto de Mariana’, uma história de amor bastante original da relação entre homem e mulher. E também tem o “Ponte áerea”, outro filme de comédia romântica, em torno de um casal beirando os 30 anos, que se encontra no meio desse caos da aviação civil.

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