Rodrigo Santoro: 'Se você alimenta o ego, dança'

Ator encarna jogador lendário em 'Heleno', fala sobre perigos da fama e adianta que ainda negocia para atuar no novo filme '300'

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Oito anos. Esse foi o tempo que Rodrigo Santoro e o diretor José Henrique Fonseca ("O Homem do Ano", "Mandrake") levaram para colocar "Heleno" aos cinemas. O filme conta a história do atacante do Botafogo, estrela do futebol brasileiro da década de 1940, que acabou seus dias num sanatório em Minas Gerais, louco e consumido pela sífilis. Apesar da postura de rockstar, com o ego do tamanho do mundo, Heleno mostrava paixão inabalável por seu time – chegou a declarar que jogaria até de graça.

Veja o trailer de "Heleno" ao final do texto

Divulgação
Rodrigo Santoro em cena de 'Heleno'

O envolvimento de Santoro com o personagem foi tamanho que levou a uma postura similar: de protagonista, virou também produtor do filme e, até agora, não recebeu dinheiro algum pelo trabalho. "Sem entrar em muitos detalhes, ainda não fui remunerado", comentou Santoro ao iG nesta terça-feira (13), em São Paulo. "Claro que não dá para sempre trabalhar só pensando no projeto, você precisa sobreviver, mas tem que ter um equilíbrio nessas coisas."

AE
Rodrigo Santoro durante entrevista em São Paulo
Equilíbrio é uma palavra frequente no discurso do ator. Ele tenta desmentir – "não sou o Dalai Lama" –, mas adota uma postura zen para falar dos desafios do dia-a-dia. Como o paralelo com a fama, por exemplo. Saudado como "homem gol" pela imprensa, Heleno, de temperamento irascível, não cabia em si e se achava acima de tudo e todos.

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Embora seja um astro no Brasil e esteja com dois filmes prestes a sair no exterior – "O Que Esperar Quando Você Está Esperando", com Jennifer Lopez, e a ação milionária "Last Stand", ao lado de Arnold Schwarzenegger –, Santoro, um praticante de ioga e meditação, se mantém consciente para afastar o deslumbramento.

"É um perigo, que pode acontecer com qualquer um. Se você começa a alimentar o ego e acredita que é uma determinada imagem, você dança. O ego fica desgovernado e foi o que consumiu Heleno. Não tem receita de bolo, senão não teria tanta gente por aí tendo fins trágicos como ele. Acho que é um trabalho diário. O que eu procuro fazer é me conectar sempre com minha essência, com quem eu sou, porque essa pessoa sempre existiu e a fama é o fator externo."

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A expectativa com a repercussão dos trabalhos em Hollywood segue o mesmo raciocínio. "A tendência do humano é sempre a de se preparar para as coisas, mas a vida não tem ensaio. Expectativa é uma faca de dois gumes. Pode ser boa, gera comentário, ajuda na propagação e tudo mais, mas ao mesmo tempo, se for muito grande, tende a ser maior e o produto final não corresponde à tela pintada na cabeça de cada um. Por isso, procuro desconstruí-la."

Divulgação
Rodrigo Santoro como Heleno de Freitas
Santoro admite que os novos filmes devem ajudar a promover sua imagem no exterior e abrir novas portas ("o mercado de entretenimento funciona assim"), mas diz que não toma suas decisões baseado nisso.

"Não é maquiavélico, uma coisa planejada. Já tive provas na minha trajetória de que se você coloca o foco no resultado, ou em como você vai ser percebido, a probabilidade de não dar certo é muito grande. Não faço as escolhas baseado nisso, no esquema, porque você não controla essas coisas. Então prefiro focar no que está na minha frente. Minha carreira é uma estrada, independentemente de onde, se nos Estados Unidos ou aqui, norteada pelos personagens."

Se em "Heleno" o jogador tem como objetivo de vida jogar no Maracanã e disputar uma Copa do Mundo, Santoro tem ambições mais modestas na vida real. "Tem alguns lugares no mundo onde eu queria surfar e nunca consegui, Bali é um deles. O sonho é continuar trabalhando, adoro o que eu faço. E quero continuar evoluindo, me sentindo estimulado, me sinto meio movido por isso. Acho importante o homem se desafiar."

Quanto ao futuro, diferentemente do que chegou a ser divulgado , o ator confirmou que continua as negociações para participar de "300: Battle of Artemisia", uma derivação de "300", em que interpretou o rei Xerxes. Segundo Santoro, o projeto estava há dois anos parado e agora ganhou sinal verde da Warner. A história se desenvolve de forma paralela à batalha original dos espartanos contra os persas. "O estúdio liberou o orçamento e começaram o processo de casting. Estou curioso para ver o que vai acontecer."

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