Rodrigo Santoro encabeça o drama familiar "Meu País"

Atuação do elenco completado por Cauã Reymond e Débora Falabella justificam o filme

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Não é todo dia que um filme brasileiro sem a marca Globo Filmes reúne um elenco cheio de estrelas. "Meu País", longa de estreia de André Ristum, consegue a proeza de ter logo três: Rodrigo Santoro, Débora Falabella e Cauã Reymond. As exibições cheias de flashes nos festivais de Paulínia e Brasília, de onde saiu com seis prêmios , mostraram que há interesse da mídia e do público pela produção. Mesmo com um time desses, o mercado, no entanto, ainda se mostrou refratário a um drama com jeitão internacional e "Meu País" estreia nesta sexta-feira (07) somente nas regiões Sul e Sudeste. Fosse uma comédia ligeira, alcançaria circuito bem maior.

Divulgação
Deborá Falabella, Rodrigo Santoro e Cauã Reymond (de costas) em "Meu País"
O roteiro escrito pelo próprio Ristum, ao lado de Marco Dutra e Octavio Scopelliti, se apóia na família – uma realidade abastada, é verdade, mas de certa forma com apelo universal. Santoro interpreta Marcos, um executivo almofadinha que mora na Itália. Afastado há anos do Brasil, se vê obrigado a voltar ao país para o enterro do pai (Paulo José), num êxodo ao contrário. Na bagagem, traz a mulher italiana (Anita Caprioli).

É a chance do reencontro com Tiago (Cauã Reymond), irmão encarregado dos negócios em São Paulo, que leva uma vida sem regras – sua rotina de drogas, álcool e dívidas de jogo não ajudam muito as finanças da empresa. O quadro se completa com a descoberta de uma irmã: Débora Falabella vive Manuela, a filha bastarda que ninguém sabia, internada numa clínica psiquiátrica. Ela tem 24 anos, mas mentalidade de criança. Os médicos afirmam que a alta é necessária e a convivência com a família, a solução.

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Aí, finalmente, "Meu País" parece começar. Marcos enfrenta o impasse de voltar logo para a Itália – seus sócios cobram seu retorno o tempo inteiro –, dar atenção para a mulher ou abrigar a irmã. Tiago, por sua vez, vive em negação: tem uma postura violenta e cruel com Manuela, além de correr atrás de dinheiro para pagar uma dívida milionária e se livrar das ameaças que recebe.

Sem ambições narrativas, o filme se justifica pelo desempenho do elenco na fotografia fria de Hélcio Alemão Nagamine. Por trás de uma cara sisuda, Santoro consegue mostrar a dor e as dúvidas que seu personagem sofre, em busca das raízes no país que deixou para trás. País que poderia ser qualquer um, já que de efetivamente brasileiro "Meu País" não tem nada.

Cauã faz com gosto as vezes de vilão e se sai muito bem como um jovem mimado, inconsequente e insensível. Já Débora tinha o desafio de não parecer caricata como uma deficiente mental e venceu – sua Manuela é claramente limitada, mas com a doçura de uma garotinha. Junto, o trio consegue segurar "Meu País".

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