Responsável por Belo Monte, Eletrobras financia filme sobre Xingu

Construção de usina é debatida durante coletiva para divulgação do longa sobre parque indígena

Valmir Moratelli, enviado a Manaus (AM) |

Durante a coletiva de imprensa do filme “Xingu” , na manhã desta sexta-feira (4), no Caesar Business, em Manaus, foi discutido de que forma a construção da usina de Belo Monte pode afetar a vida dos índios na região Norte do País.

Wesley Andrade/divulgação
Fernando Meirelles na coletiva de "Xingu": "Belo Monte é uma das mais agravantes questões do Brasil"
O evento faz parte do Amazonas Film Festival (AFF), evento cinematográfico que acontece até o dia 9 na capital do Amazonas. O filme de Cao Hamburguer , com produção de Fernando Meirelles , abriu o festival na noite anterior e arrancou muitos aplausos ao contar a saga dos irmãos Villa Boas e sua luta pela criação do Parque Nacional do Xingu .

Avaliado em R$ 15 milhões, o filme teve um terço da produção custeada pela empresa privada de cosméticos Natura. Cerca de R$ 800 mil foram bancados pela estatal Eletrobras, responsável pela construção de Belo Monte. Apesar de ser distante do Parque do Xingu, a área da construção da usina pode afetar os rios que passam pelas terras indígenas. É este um dos pontos mais polêmicos da obra.

“Belo Monte é uma das mais agravantes questões do Brasil na atualidade. O índio Megaron, que foi exonerado do cargo que ocupava na Funai, era próximo dos irmãos Villa Boas. É impressionante como não aprendemos com nossa história, os erros estão se repetindo. Ele só foi demitido porque não concorda com a construção da usina”, disse Meirelles. O índio Megaron Txucarramãe, líder descente do índio Raoni, foi afastado da Funai nesta semana.

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Sobre o apoio da estatal para a realização do filme, Meirelles disse que não vê ambiguidade de interesses. “É curioso, mas a Eletrobras é uma das financiadoras do filme e ao mesmo tempo maior interessada em Belo Monte. Isso mostra, em certa parte, que é uma empresa democrática. Eles sabiam que isso ia criar um debate. O que quero discutir é se queremos este progresso proposto pela usina”, continuou.

Crime ambiental

Cao Hamburguer salientou que a construção da usina vai afetar diretamente a área de Xingu, motivo de muito debates e polêmicas nos últimos anos. “Na minha opinião afeta sim. Não houve um só dia de filmagens que não sofremos com queimadas de fazendas próximas. Estamos vivendo um crime ambiental absurdo no centro oeste e no norte do Brasil”, alertou o diretor.

Ele aproveitou para criticar o chamado “progresso ultrapassado” adotado pelo País. “O modelo de progresso do Brasil é antigo, baseado no consumismo do século vinte, sem olhar para o futuro”, disse Hamburguer.

Leia também: Amazonas Film Festival leva produções de 10 países à região norte

Fernando Meirelles contou ainda que já conseguiu recolher cerca de quarenta mil depoimentos via internet para pressionar o Senado a alterar o novo código florestal brasileiro antes que seja votado.

“Xingu” tem data de estreia prevista para 6 de abril, com distribuição da Globo Filmes. Após o circuito de cinemas, o filme vai virar microssérie na TV Globo, com direito a cenas extras.

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