Vítima do sucesso , Flip contabiliza 25 mil visitantes em 2009 - Cinema - iG" /

Vítima do sucesso , Flip contabiliza 25 mil visitantes em 2009

PARATY ¿ Ingressos esgotados em horas, plateia lotada nas mesas mais importantes, ruas cheias, hotéis sem vagas, uma história que se repete ano após ano em Paraty. Para Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip e presidente da Associação Casa Azul, em certo sentido o evento pode ser considerado vítima do próprio sucesso. Tanto que a organização afirma ter de lidar com a pressão de patrocinadores por mais ingressos em uma tenda que já não comporta nem a procura do público, desorientado em momentos de maior agitação, como na palestra de Chico Buarque.

Marco Tomazzoni, enviado a Paraty |

Marco Tomazzoni

O diretor de programação da Flip, Flávio Moura, e o diretor-geral, Mauro Munhoz

Os organizadores da Flip conversaram com a imprensa neste domingo (05) para apresentar o balanço da sétima edição, que começou na última quarta-feira e termina hoje. Cerca de 25 mil pessoas passaram pelo centro histórico nos últimos cinco dias, total que assusta, mas que ao mesmo tempo é domado pela infra-estrutura da cidade. É uma preocupação constante, porém a capacidade de hospedagem e o número de ingressos ajudam a impor esse limite, disse Munhoz.

Apesar de não haver mais entradas disponíveis para a Tenda dos Autores, o espaço principal da festa, era flagrante o número de cadeiras vazias em algumas conferências. Munhoz explicou que os lugares devem ser de pessoas que compraram os ingressos, mas que não compareceram por algum motivo, tentando afastar a possibilidade de que boa parte da lotação total ¿ 850 lugares ¿ estaria reservada para convidados.

Segundo ele, 30 assentos são normalmente reservados para autores e apoiadores, sem contar as cortesias para patrocinadores e jornalistas, contabilizadas em outra cota que, de acordo com um dispositivo da Lei Rouanet, não pode ultrapassar 10% da lotação. Sofremos uma pressão enorme de patrocinadores por causa disso e ela precisa ser administrada, esclareceu Munhoz. Quanto às cadeiras vazias, disse que elas são comercializadas nas bilheterias após o início das mesas ao público interessado.

A falta de informação de alguns funcionários para orientar os visitantes nas confusas filas na Tenda dos Autores e o despreparo para situações inusitadas, como para retirar o homem que escalou a estrutura metálica da Tenda do Telão durante a mesa de Chico Buarque, foram atribuídos não à falta de organização, mas aos desafios que festa impõe. Toda vez que você se propõe a fazer eventos democráticos, ocupando lugares públicos, é muito complexo. É um paradoxo para ser enfrentado.

O orçamento total deste ano para a Flip é de R$ 3,766 milhões que, somados às atividades de cunho social, urbanístico e educacional realizadas ao longo do ano em Paraty, chega a R$ 5,9 milhões, captados junto a leis de incentivo e renúncia fiscal. O total, contudo, ainda não foi arrecadado, por isso o processo deve seguir nos próximos meses. A verba proveniente da bilheteria ¿ 35,2 mil ingressos na tenda principal, do telão e da programação na Casa de Cultura ¿ cobre por volta de 30% dos custos da festa.

O diretor de programação, Flávio Moura, comemorou o sucesso das mesas de Richard Dawkins, António Lobo Antunes e Gay Talese, entre outras, e que considera um acerto ter diminuído o número de convidados nas conferências, como esses três, que falaram sozinhos. Assim é possível ter espaço para falar melhor com pessoas que vieram de longe e conhecer um pouco mais suas obras. A impressão que tenho é que funcionou e o formato deve ser pensado para as próximas Flips.

Sem adiantar detalhes para a edição de 2010 ¿ apesar de Munhoz ter comentado uma possível redistribuição dos espaços pelo centro histórico ¿, Moura tratou de esclarecer a influência das editoras na programação, já que é evidente a coincidência dos lançamentos literários com os autores escalados. Segundo ele, o maior número possível de editoras é contatado com antecedência para verificar qual é a agenda de publicação e, assim, unir os interesses, inclusive para aumentar a divulgação na mídia. Sempre que dá para conciliar com um livro recém-lançado, ótimo, é bom para todo mundo. Mas muitas vezes não dá e a curadoria da Flip tem autonomia total, sustentou.

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