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Sinto por cada vítima no Líbano , diz vencedor do Leão de Ouro

VENEZA ¿ ¿Queria fazer um filme sem clichês e precisava me perdoar. Eu tenho responsabilidade, estava numa situação sem escolha, mas estava lá. Eu queria fazer um filme não político, para que ele falasse ao coração e ao estômago. Agora que vejo que a mensagem foi enviada, fico feliz¿, disse o israelense Samuel Maoz, diretor de ¿Lebanon¿, vencedor do Leão de Ouro do 66o Festival de Veneza, na coletiva de imprensa que se seguiu à cerimônia. Em sua estreia na direção, ele baseou-se em sua própria experiência na Guerra do Líbano de 1982 e filmou a visão de quatro soldados de dentro de um tanque.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

AFP
O diretor israelense Samuel Maoz segura o Leão de Ouro pelo filme "Lebanon"

Ang Lee, presidente do júri, afirmou que foi a discussão mais curta. Aquele tanque podia estar em qualquer lugar e em qualquer guerra. Pessoalmente, fico ansioso por saber qual será seu segundo filme, completou.

Maoz foi confrontado por uma jornalista libanesa sobre como ele retrata os civis libaneses na guerra e de como o filme é uma visão israelense. Sinto por cada vítima no Líbano e em qualquer guerra. Eu estava lá, aquela era situação. Não posso discutir com você sobre isso, esta é minha verdade, disse ele. Você pode tentar achar quem é culpado ou não. No fim da história, a guerra é a culpada.

A iraniana Shirin Neshat, outra estreante e premiada com o Leão de Prata de direção, foi elogiada por Ang Lee. Não é perfeito, mas é o filme que me pegou no coração e tirou meu fôlego. A maior parte dos longas sobre a situação feminina são libelos, mas este pega pelo coração, disse ele.

A artista plástica tornada cineasta afirmou: Nós iranianos aprendemos a dizer metaforicamente, porque vivemos há muito sem liberdade. Poesia e política andam juntas. Nossa mensagem é de coragem, coragem das mulheres e do povo iraniano, de exigir liberdade e democracia, mesmo que se arrisquem a falhar. Eu também me arrisquei, porque não sabia nada de cinema, mas precisamos procurar jeitos de expandir o que somos. Nosso filme é um jeito de dizer aos iranianos que há muito valor em sua luta, afirmou. Neshat contou ainda que encontrou democracia no cinema, que é a mais completa forma de arte em termos de linguagem. Acho ótimo poder contar histórias. Mas o que tento fazer é mais baseado nas imagens do que nas palavras.

Enquanto isso, Fatih Akin, ganhador do Grande Prêmio do Júri pela comédia Soul Kitchen, mostrava-se surpreso. É muito mais do que esperávamos. Não sou muito conhecido por esse tipo de filme, sempre tive dúvidas, enlouqueci meu elenco e equipe. A maior surpresa foi estar na competição. Ser premiado por esses caras é algo incrível. É preciso lembrar que os primeiro curtas feitos no cinema eram comédias. E, como comecei com dramas, sei que as comédias são bem mais difíceis, afirmou o diretor de filmes fortes como Contra a Parede e Do Outro lado. Uma das grandes inspirações foi o trabalho de Ang Lee. Alguns dias atrás vimos Aconteceu em Woodstock. E pensamos: Se ele fez, podemos fazer também.

O presidente do júri, também conhecido pelos dramas, mas que apresentou sua comédia Aconteceu em Woodstock na competição do último Festival de Cannes, afirmou: A comédia é sempre um pouco desprezada em festivais de cinema. Fora isso, quisemos celebrar o trabalho anterior de Fatih, porque todos temos inveja deste cara. Este filme foi brilhantemente realizado, um sopro de ar fresco neste festival. Em seguida, Akin contou que Comer, Beber, Viver, de Ang Lee, foi uma das inspirações de Soul Kitchen, que se passa em grande parte num restaurante. A cozinha cruza qualquer fronteira, afirmou.

AFP

Colin Firth: prêmio de melhor ator em Veneza

Colin Firth, vencedor da Coppa Volpi de melhor ator por A Single Man, de Tom Ford, contou que o diretor estreante falava pouco: Entendia quando ele não estava contente pelo jeito que falava: Bom. Ele se disse muito agradecido pelo troféu e afirmou não saber o que vai significar para sua carreira. Agora é só uma grande felicidade. Esta é uma viagem pessoal, ninguém fez pelo dinheiro, fez pela oportunidade, todos participaram com risco. Era um homem que nunca tinha feito um filme, apesar de ele ter um grande talento. Ser reconhecido com algo grande e sólido como este troféu é uma experiência muito nova para mim. Espero que ajude o filme, afirmou.

O ator, bem-humorado, protagonizou o momento mais divertido da entrevista, quando uma jornalista perguntou como ele se sentia sendo objeto do entusiasmo feminino de várias idades. Firth, que fala bem italiano, virou e disse: Não entendo a pergunta. Os mediadores traduziram para o inglês e ele continuou fingindo que não entendia. Até Ang Lee entrou na roda, explicando no ouvido do ator, que continuou brincando e fingindo que não entendia. Ah, isso! Não entendo a pergunta!, disse, rindo.

Veja abaixo a lista completa de vencedores do Festival de Veneza 2009:

Melhor filme ¿ Leão de Ouro: Lebanon (Israel)
Prêmio especial do júri: Soul Kitchen , de Fatih Akin
Melhor direção: Shirin Neshat, Women Without Men
Melhor ator: Colin Firth, A Single Man
Melhor atriz: Ksenia Rappoport, La Doppia Ora
Melhor ator ou atriz emergente: Jasmine Trinca, Il Grande Sogno
Melhor roteiro: Todd Solondz, por Life During Wartime
Melhor contribuição técnica: Sylvie Olivé, por Mr. Nobody
Melhor filme de estreia: Engkwentro, de Pepe Diokno
Controcampo Italiano: Negli Occhi, de Francesco Del Grosso e Daniele Anzelotti
Prêmio da mostra: Cosmonauta, de Susanna Nichiarelli

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