VENEZA ¿ A iraniana Shirin Neshat vestiu-se de verde ¿ cor-símbolo dos protestos contra o atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusado de fraude nas últimas eleições ¿ para a coletiva de imprensa de seu filme ¿Women Without Men¿ (Mulheres sem homens), exibido na competição do 66º Festival de Veneza, no início da tarde desta quarta-feira (09). Os outros membros da delegação também vestiam lenços verdes.

AFP

Diretora Shirin Neshat, do iraniano "Women without men", posa para os fotógrafos

Este filme quer mostrar que a liberdade e a democracia são algo muito importante para os iranianos. E que o povo, inclusive as mulheres, sempre lutou por elas, não importa em que período da história, disse a artista plástica e cineasta. O filme se passa em 1953, quando um golpe de estado liderado pelos Estados Unidos e apoiado pela Inglaterra derrubou o governo democraticamente eleito e reconduziu o xá ao poder.

Tais eventos teriam ligação direta com a Revolução Islâmica de 1979 e consequentemente com a chegada de Ahmadinejad ao poder. Foi uma grande coincidência, as imagens da repressão naquele 1953 são muito parecidas com as do último verão, afirmou Neshat. Há cem anos os iranianos lutam contra ditadores, que mudam de forma e ideologia. E tanto na época quanto hoje as mulheres iranianas são símbolos dessa luta, como a estudante Neda, morta nos últimos protestos, continuou. Os iranianos continuam lutando e não vão desistir.

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