Mr. Nobody , com Jared Leto e Diane Kruger, perde-se ao querer abarcar a vida - Cinema - iG" /

Mr. Nobody , com Jared Leto e Diane Kruger, perde-se ao querer abarcar a vida

VENEZA ¿ ¿Mr. Nobody¿ é um filme sobre a complexidade, explica o diretor belga Jaco Van Dormael no material de imprensa da produção, concorrente ao Leão de Ouro neste 66o Festival de Veneza. De fato, o longa-metragem quer tanto abarcar a vida, numa daquelas estruturas que Charlie Kaufman adoraria ter escrito, que só fica a sensação de complexidade, sem que racionalmente aquilo tudo possa fazer sentido.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Reuters

O ator e roqueiro Jared Leto posa para os fotógrafos no Festival de Veneza

Por meio do personagem Nemo Nobody (Jared Leto), o cineasta trata de dúvida e escolha ¿ e identidade. A primeira dúvida e escolha do protagonista é quando precisa saber se vai com a mãe ou fica com o pai, depois da separação do casal. Mais tarde, acompanhamos sua vida com o amor ideal, Anna (Diane Kruger), com a louca Elise (Sarah Polley), e com a moça que estava disponível no momento, Jeanne (Linh-Dan Pham).

Van Dormael também fala de como tudo está ligado num mundo e que um evento numa parte do globo afeta outro num país distante, podendo mudar a vida da coletividade ou de um só indivíduo. Por exemplo, um desempregado no Brasil cozinha um ovo, causando um aquecimento que provoca uma chuva inesperada no lugar onde está Nemo, molhando o papel onde tinha anotado o telefone da amada Anna.

Divulgação

Jared Leto e Diane Kruger em cena de "Mr. Nobody": confuso demais para o espectador

A questão é que, em meio a esses assuntos já complexos, ainda que não novos, o filme discute memória, outro assunto bem contemporâneo no cinema, ao colocar Nemo velho, num universo futurista, lembrando-se do passado ¿ mas deste passado com opções diversas, o que confunde tanto o jornalista para quem ele conta a história quanto o espectador. Por vezes, o protagonista também aparece escrevendo, o que faz crer que tudo aquilo se passa apenas em sua cabeça. Em outros momentos, está em coma, o que também faz crer que tudo aquilo se passa apenas em cabeça. Parece que, tentando tratar de tantas coisas, Jaco Van Dormael acabou se perdendo no meio do caminho ¿ e a chance de perder o espectador é bem grande também. 

Na coletiva de imprensa no início da tarde desta sexta-feira, o cineasta Jaco Van Dormael disse que não sabe muito explicar seus filmes nem está muito interessado em respostas. A única coisa que posso é compartilhar minhas dúvidas e incertezas sobre o que estou fazendo, disse. Não sou organizado nem para escrever nem para dirigir. Quando eu gosto de alguma coisa, não sei explicar por quê. As escolhas que faço são misteriosas para mim. Decido baseado na emoção, completou. Van Dormael afirmou que só tem um único método: Vejo onde estão os medos e os evito e percebo onde está o prazer e vou em direção a ele. Mesmo que a cena não funcione, se tivemos prazer em fazê-la, está ótimo.

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