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Lluvia mostra dois perdidos numa noite chuvosa em Buenos Aires

GRAMADO ¿ O penúltimo dia da competição latina do Festival de Gramado apresentou, na noite desta quinta-feira (13), ¿Lluvia¿, de Paula Hernández, segundo longa-metragem argentino na disputa por um Kikito. Apesar de ter que dividir as atenções com o culto a Xuxa Meneghel, homenageada pouco antes, o filme sensibilizou a plateia que pela primeira vez desde o início do evento lotou o Palácio dos Festivais.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Divulgação

A excelente atriz Valeria Bertuccelli se molha no longa-metragem argentino "Lluvia"

A história se passa em uma Buenos Aires alagada por três dias de chuva ininterrupta. Presa em um gigantesco engarrafamento no meio de um dilúvio, Alma (Valeria Bertuccelli) é surpreendida quando um estranho, o espanhol Roberto (Ernesto Alterio) abre a porta e senta sem cerimônia na poltrona a seu lado. O susto logo dá lugar a uma estranha cumplicidade entre os dois, atormentados por seus próprios problemas.

Enquanto Alma mora no carro e dirige sem rumo pela capital argentina, no que parece ser uma desilusão amorosa, Roberto está às voltas com a doença do pai que nunca conheceu. Perdidos debaixo da chuva de uma grande metrópole, extremamente solitários, os dois acabam por se apoiar um no outro, como se estivessem atirados no chão e juntos, com as costas coladas, conseguissem se reerguer.

A ideia não é nova e tem parentesco, inclusive, com o longa de estreia de Hernandez, Herencia (2001), disponível no Brasil. Porém no lugar da amizade afetuosa entre a dona de uma pensão e um mochileiro europeu, aparecem duas almas melancólicas, cada um com seus traumas e questões existenciais por resolver.

Com uma produção excelente, apoiado pela fotografia molhada de Guillermo Nieto, colaborador assíduo dos trabalhos de Pablo Trapero, Lluvia contorna sem percalços os desafios técnicos ¿ os diversos planos no interior do carro, os milhares de litros de chuva cinematográfica. O acerto só não é maior por uma certa falta de química entre os protagonistas, que não convence no quesito amoroso.

Identificado com o ritmo do cinema francês, o filme desenvolve a história do casal sem ser piegas e, embora um pouco previsível, não subestima a inteligência do espectador, apresentando os detalhes aos poucos, a seu modo. Mais um bom competidor na mostra latina, que, se não levar prêmios para o elenco, deve ser reconhecido nas categorias técnicas.

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