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Este é um filme de estresse pós-traumático , explica Todd Solondz

VENEZA ¿ Todd Solondz não conseguiu explicar bem por que resolveu retornar aos personagens de ¿Felicidade¿ (1998) em ¿Life During Wartime¿, apresentado na manhã desta quinta-feira (03) em Veneza. ¿É sempre misterioso para mim por que eu faço um filme. Na verdade, acho que filmar é isso: o processo de descobrir¿, disse ele na coletiva de imprensa no início da tarde.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

AFP

O diretor de fotografia Ed Lachman, a atriz Shirley Henderson e o diretor Todd Solondz

A única coisa, segundo o diretor, era que desejava ter liberdade total com os personagens, vividos por outros atores, inclusive. Quando comecei a escrever, percebi que precisava era me sentir livre para brincar com eles. Se quisesse fazer um personagem branco virar negro, ou fazer alguns 5 anos mais velhos do que em Felicidade e outros 20, tudo bem. Por isso, uma das crianças da família Jordan tem 12 anos, enquanto a menina Chloe não parece ter mais de seis ¿ o pai foi preso por pedofilia há mais de dez, e sua mulher e os filhos tentam reconstruir sua vida.

Ele aponta uma diferença básica entre as duas obras. Suponho que desta vez o filme seja um pouco mais político. Mas basicamente são personagens que me emocionam e que são engraçados. O diretor não soube fazer a relação, pedida por um jornalista italiano, entre quatro conceitos utilizados no final do longa-metragem: liberdade/democracia e perdão/esquecimento. Não sou intelectual. Mas imagino que este seja um filme de estresse pós-traumático. E claro que perdoar e esquecer são dois temas, mas tentei não ditar nenhuma resposta. Quero apenas que as platéias se abram para a experiência, afirmou.

Solondz escapou também das questões mais políticas. Um jornalista de Israel quis saber sua posição em relação ao país, já que no filme há piadas com o fato de alguns personagens judeus americanos desejarem ser enterrados em Israel. Sempre achei um pouco engraçado que as pessoas quisessem ser enterradas em Israel. Me lembro que, pequeno, era uma questão: Você é mais judeu ou mais americano?, afirmou o cineasta. Mas achei bom ter duas irmãs com pensamentos diversos, uma pró-Israel e outra pró-Palestina, completou, referindo-se às personagens de Allison Janney e Ally Sheedy. 

No final da entrevista coletiva, ele também saiu pela tangente, com bom humor, quando indagado sobre o que conhecia da atual política italiana. Sei um pouco, mas seria tolo de minha parte dizer algo sobre isso aqui, para vocês. É maravilhoso estar aqui neste palácio fascista incrível, brincou, fazendo referência ao Palazzo Del Casinò, que abriga o Festival de Veneza.

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