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Estamos fazendo uma revolução pacífica, mas armada de ideias , diz Hugo Chávez em Veneza

VENEZA ¿ Matt Damon não foi o maior astro a passar hoje por Veneza. A grande comoção do festival foi a presença do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, na sessão de ¿South of the Border¿, documentário sobre ele e a chegada de lideranças de esquerda aos governos na América do Sul.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Getty Images

Hugo Chávez e Oliver Stone assistem a "South of the Border"

Desde a manhã, quando ficou claro que ele compareceria à exibição, começou o zunzunzum. No início da tarde, uma quantidade maior de policiais estava nas ruas e, fato inédito, fazia revista aleatória na bolsa das pessoas que caminhavam pela frente da Sala Grande. Dentro, o cuidado era redobrado, com seguranças do governo venezuelano observando cada movimento. Quando Chávez entrou na sala, ao lado de Oliver Stone, os aplausos foram efusivos. Quem ousou gritar ditador! foi retirado da sala. Um cartaz pregado na parede, com as palavras Basta Chávez, ditador, também foi retirado.

Com meia hora de atraso, a sessão começou. Logo numa das primeiras sequências, em que Michael Moore contesta um apresentador da CNN, foi aplaudido em cena aberta. O documentário, que não procura questionar muito os sul-americanos, conta a ascensão de Chávez ao poder, suas mudanças e como vários líderes esquerdistas sul-americanos foram eleitos, na esteira de sua vitória, incluindo Rafael Correa no Equador, Fernando Lugo no Paraguai e Evo Morales na Bolívia.

Todos esses presidentes, mais Nestor e Cristina Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva, são entrevistados. Uma fala do presidente brasileiro foi aplaudida: Nós pagamos o FMI, pagamos o Clube de Paris, não devemos nada a ninguém. Ele diz ainda que vê a America do Sul unida em bloco, como a União Européia. Vejo e trabalho para isso. Que tenhamos uma única moeda, um parlamento, instituições políticas e sindicais unificadas. É a primeira vez que pobres são tratados como seres humanos.

Quando os créditos subiram, ao som de South American Way, Oliver Stone dançou. Hugo Chávez acenou e os aplausos se estenderam por cerca de dez minutos. Eles deram-se as mãos e levantaram os braços, e Chávez ainda deu um soquinho na barriga de Stone. Para desespero dos seguranças, em seguida o presidente desceu as escadas da tribuna e foi falar com o público na plateia. Estamos fazendo uma revolução pacífica na América do Sul, disse, repetindo uma frase do filme. Ao que uma espectadora acrescentou, também citando sua frase seguinte no documentário: Mas armada. Chávez respondeu: Armada de ideias.

Em seguida, passou a falar dos grandes impérios no continente, como dos incas, dos astecas e dos maias. Enquanto isso, em Nova York, não havia ninguém, disse. Fez média ao comparar Venezuela e Veneza. E ainda afirmou: Quando os europeus chegaram à América do Sul, havia 90 milhões de aborígenes. Duzentos anos depois, havia 4 milhões. Depois eles levaram 20 milhões de africanos. E nós nascemos daí. Queremos um mundo melhor onde negros, índios e brancos sejam iguais. Não somos diabos, afirmou. E gritou: Viva Oliver!.

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