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Em Teu Nome mostra sentimento na atuação da luta armada no Rio Grande do Sul

GRAMADO ¿ O longa-metragem gaúcho ¿Em Teu Nome¿, de Paulo Nascimento, deu continuidade na noite desta quinta-feira (13) à competição brasileira do Festival de Gramado. Os gritos de urra já no clipe de apresentação dos concorrentes e a superlotação da sala, que antes havia sediado uma homenagem a Xuxa e a premiação dos curtas Mostra Gaúcha, ficaram explicados quando a equipe do filme subiu ao palco: mais de 40 pessoas deixaram um clarão entre as poltronas do Palácio dos Festivais.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Divulgação

Filme de Paulo Nascimento segue personagens pelo exílio no exterior

O diferencial da sessão foi a presença do juiz João Carlos Bona Garcia e de sua mulher, Cecília, que inspiraram o roteiro, sobre um revolucionário exilado do Brasil na ditadura militar. Tenho o dever de lembrar de todos aqueles que perderam empregos, foram perseguidos, mortos, exilados, simplesmente porque não aceitavam uma ideia. A todos que ficaram pelo caminho, minha eterna amizade, disse, às lágrimas, ao microfone.

Essa carga emocional pareceu bater fundo nos espectadores, que reagiram ao fim da projeção com aplausos mais do que entusiasmados. A história real mostra como Boni (os nomes foram alterados), jovem estudante de engenharia, adere à luta armada através da filial gaúcha da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), enquanto começa a namorar a jovem Célia, interpretada por Fernanda Moro. Letreiros didáticos ¿ até demais ¿ no início do filme situam a trama em 1970, no auge da truculência do governo Médici.

O protagonista Leonardo Machado dá conta do idealismo do personagem, que, indeciso se pegar em armas é o melhor a fazer, resolve assumir a tarefa pela simples impossibilidade de ficar parado. A não ser Fernanda Moro, apática, o restante do elenco sustenta a narrativa com a mesma competência, em especial Nelson Diniz, Sílvia Buarque, Sirmar Antunes e o uruguaio César Trancoso, conhecido pelo filme O Banheiro do Papa.

Surpreendido pela polícia, o grupo é preso e torturado em Porto Alegre, em uma das sequências que deixam evidente a fragilidade da produção, concluída em menos de um ano . Já em 1971, ao lado de sete companheiros gaúchos, Boni integra o pacote de 70 guerrilheiros trocados pela libertação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, seqüestrado no Rio. Daí, Boni segue para o exílio no Chile, Argélia e França, périplo que rendeu locações internacionais surpreendentemente mal aproveitadas, em um contraste claro com as cenas rodadas no Brasil.

Se a fotografia em HD digital e o insistente cacoete de utilizar fades também atrapalham o longa de Nascimento, a história dos protagonistas é tão sensível que Em Teu Nome chega aos trancos e barrancos no final com saldo positivo, principalmente por mostrar o outro lado da luta armada. O cinema brasileiro do período, em filmes como Lamarca, O Que É Isso Companheiro? e Cabra Cega, para citar alguns, raramente mostra o íntimo daqueles heróis, que não passavam de garotos idealistas. Ou é um problema admitir que a guerrilha havia fracassado e querer arrumar um emprego? Questões como essas devem fazer com que o público aceite o longa de braços abertos, o que já é meio caminho andado.

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