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Em Teu Nome busca olhar humano sobre a década de 1970, diz diretor

GRAMADO ¿ O período da ditadura militar volta a ser retratado pelo cinema brasileiro com o longa-metragem gaúcho Em Teu Nome, que será exibido na noite desta quinta-feira (13) na mostra competitiva do Festival de Gramado. Em tempo recorde, o diretor Paulo Nascimento levou às telas a história do guerrilheiro João Carlos Bona Garcia, preso no governo Médici e exilado político, com a intenção de lançar um olhar mais humano à década de 1970.

Marco Tomazzoni, enviado a Gramado |

Divulgação

Nelson Diniz, Fernanda Moro e Leonardo Machado no gaúcho "Em Teu Nome"

Em conversa com a imprensa, Nascimento disse que pretendia contar uma história que se passasse naquela época e, ao ouvir o relato de Bona ¿ hoje juiz da Justiça Militar, caso único no Brasil ¿, se decidiu na hora. Em setembro, poucos dias depois das primeiras conversas, o diretor veio a Gramado e, isolado, escreveu o roteiro em cinco dias. Em janeiro começaram as filmagens e, incrivelmente, o filme foi concluído a tempo de estrear no festival.

"Gramado para nós é uma referência muito importante em cinema", revelou Nascimento, que já teve dois outros longas no evento ("Valsa para Bruno Stein" e "Diário de Um Novo Mundo"). "Todo mundo se perguntava, 'será que vai ficar pronto para Gramado?' Poder, então, fazer a sessão na presença da equipe e dos personagens reais da história tem um valor inestimável."

Integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Bona ¿ alterado para Boni no filme ¿ foi preso após um assalto mal sucedido em Porto Alegre. Em 1971, ao lado de outros sete companheiros gaúchos, fez parte de um pacote de 70 presos trocados pela liberação do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, sequestrado. Daí, partiu rumo ao Chile. No elenco, estão Leonardo Machado, Fernanda Moro, Marcos Paulo, Sílvia Buarque, Nelson Diniz e Cezar Trancoso, conhecido pelo filme "O Banheiro do Papa".

Seguindo os passos de Bona, a produção teve locações em território chileno, França e Marrocos, locais por onde ele passou durante o exílio, tudo dentro do orçamento de R$ 2,7 milhões. A ideia era mostrar o espírito dos jovens daquela época e não focar só na política, explorando a história por outros ângulos. "É uma memória apagada, que a gente não fala", disse o diretor.

Bona Garcia relatou as experiências ao lado da mulher, Cecília, no livro "Verás que Um Filho Teu Não Foge à Luta". Emocionado, o juiz confessou que demorou para conseguir falar das lembranças, mas que não poderia deixar de fazê-lo. "Aquele que bate, procura esquecer; aquele que apanha, nunca esquece", sentenciou. "Acho que esse filme vai mostrar a uma nova geração que não conheceu aquela época como dar importância à liberdade e solidariedade."

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