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Cinema é viajar , afirma Walter Salles, homenageado em Veneza

VENEZA ¿ Numa sala lotada e quente no hotel Excelsior, o cineasta brasileiro Walter Salles recebeu na manhã desta sexta-feira (04) em Veneza o prêmio Robert Bresson 2009, concedido pela Fondazione Ente dello Spettacolo, que já agraciou Manoel de Oliveira, Wim Wenders e Tsai Ming-liang, entre outros.

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Getty Images

"Cinema deveria alcançar o desconhecido", diz o diretor, em foto na França, em 2008

Walter Salles começou agradecendo, em italiano ¿ depois, passou a falar em inglês. Agradeço a honra, primeiro porque Robert Bresson é um cineasta que admiro, que me ensinou muito, sobre o que significa o tempo, a importância do silêncio. Para mim, seu cinema é sobre o que não é visto, mas pode ser sentido. Depois, falou do italiano Michelangelo Antonioni. Se não fosse por ele, não estaria aqui. Eu acho que meu trabalho fala sobre identidade, e isso tem muito a ver com sua influência. Em seguida, tratou de sua admiração por Nelson Pereira dos Santos, que me ensinou a ver a geografia humana, a necessidade de filmar as pessoas nas ruas.

O cineasta contou sobre seu primeiro contato com o cinema, ainda adolescente. Meu pai era diplomata, morávamos em Paris. Eu odiava. Por causa do chuvisco, do frio e do croissant. Mas embaixo da nossa casa havia um cinema de repertório, onde vi os westerns de Howard Hawks, até todos os filmes do neorealismo.

Salles também falou sobre a paixão pelo cinema. Eu acho que o cinema deveria alcançar o desconhecido, perceber como o mundo é muito maior do que pensávamos, afirmou. E cinema é sobre viajar, é por isso que seguramos a mão da pessoa com que vamos ao cinema, coisa que você não faz no teatro nem, espero, quando está vendo televisão. Este é o cinema pelo qual devemos lutar.

O diretor contou ainda que não gosta muito desse tipo de prêmio pelo conjunto da obra, mas aceitou porque leva o nome e o espírito do cineasta francês Robert Bresson. Salles fica em Veneza até segunda-feira e pretende ver Insolação, de Daniela Thomas ¿ sua parceira em Terra Estrangeira, O Primeiro Dia e Linha de Passe ¿, e Felipe Hirsch, de quem se disse fã.  

Os outros diretores brasileiros presentes no Festival de Veneza ¿ Karim Aïnouz e Marcelo Gomes, de Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, e Felipe Hirsch e Daniela Thomas ¿ estavam todos prestigiando o cineasta.

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