A ciência daqui a 500 anos vai parecer tão incrível quanto a religião é hoje , diz Dawkins - Cinema - iG" /

A ciência daqui a 500 anos vai parecer tão incrível quanto a religião é hoje , diz Dawkins

PARATY ¿ De camisa listrada e ar simpático, nem parece que o biólogo britânico Richard Dawkins é temido, amado e odiado por muitos na mesma escala. Nascido no Quênia, ateu, o principal evolucionista em atividade no mundo veio a Paraty para participar hoje à noite da mesa ¿Deus, Um Delírio¿, mesmo nome de seu best-seller homônimo, mas também para comemorar os 150 anos de ¿A Origem das Espécies¿, de Charles Darwin, do qual é arauto em primeiro lugar. De qualquer forma, qualquer menção a ele é sempre pretexto para atacar a religião, assunto que o diverte e apaixona.

Marco Tomazzoni, enviado a Paraty |

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  • Em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (02), Dawkins defendeu mais uma vez sua declaração de que A Origem das Espécies é a obra mais importante da história. É o livro mais importante já escrito porque explica como e por que nós existimos, que costumava ser o grande mistério da vida. Ele não é tão reconhecido por, em maior parte, ignorância ou falta de curiosidade. E a religião fornece uma falsa ideia de por que existimos, aceita em especial por pessoas ingênuas, atacou.

    Autor de obras como O Gene Egoísta e O Relojoeiro Cego, Dawkins lança na Flip A Grande História da Evolução ¿ Na Trilha dos Nossos Ancestrais, de 2004. A respeito de Deus, Um Delírio, defendeu que é um livro engraçado, muitas vezes criticado como agressivo ou arrogante. Fomos educados para achar errado atacar a religião, mas no geral adota um estilo gentil, defendeu.

    Como faz sempre que pode, Dawkins rebateu a alegada necessidade que o homem tem de que Deus exista. Bem, eu não preciso disso, e muitos de vocês provavelmente também não. Acho, mais uma vez, que é uma questão de educação. Se você soubesse sobre a evolução, poderia cair de joelhos não para louvar a Deus e agradecer a natureza, mas por se deliciar com a maravilha de entender as coisas como elas são.

    O biólogo ainda contestou a ideia de que é possível para religião e ciência conviverem juntas. Enfático, disse que cientistas como Albert Einstein, que pretensamente acreditava em Deus ¿ é sua a célebre frase Deus não joga dados com o universo ¿, na verdade usava essa denominação para se referir aos mistérios dos cosmos, que nunca conseguiria descobrir. Também alegou que apenas 10% da comunidade científica britânica e norte-americana assume ser religiosa, formada em geral por pessoas que dividem o cérebro em duas partes, uma para a crença, outra para o trabalho. Trabalhar seria difícil para qualquer cientista que acredita em milagres, em água se transformar em vinho, uma virgem dar à luz ou alguém caminhar sobre a água.

    Quanto ao aumento da aceitação do uso de religiões, astrologias ou alguma outra besteira para explicar o mundo, Dawkins disse ter fé que tudo vai mudar a longo prazo. A ciência daqui a 500 anos vai parecer tão incrível e misteriosa quanto a religião é hoje. É mais ou menos como aviões, carros e computadores pareceriam a aldeões medievais: pura mágica.

    A distância, no entanto, não impede que o cientista sonhe em um mundo em que Deus não será pretexto para o bem e para o mal. Obviamente espero que consigamos viver sem religião, ela faz muito mal. Não que todos religiosos sejam malévolos, longe disso, mas ela atrapalha e fornece estímulo a se fazer o mal, porque há quem honestamente ache que lutar e matar é válido em nome de Deus. Espero que sim, mas não sou otimista a ponto de esperar ver uma sociedade sem religião enquanto estiver vivo.

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