"Quisemos chutar mais a porta", afirma Bruno Mazzeo

Ator e roteirista de "Cilada.Com" e o diretor José Alvarenga falam dos desafios da comédia

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação
Bruno Mazzeo: "Não gosto da baixaria pela baixaria"
O mais novo candidato a blockbuster do cinema nacional entra na briga por espectadores na próxima sexta-feira (08). "Cilada.Com", assim como os sucessos recentes do audiovisual brasileiro, é uma comédia, gênero que provou ter boa aceitação do público – basta pensar nos recentes "De Pernas pro Ar" e "Muita Calma Nessa Hora" , ambos entre as maiores bilheterias do ano. Apesar de ser uma adaptação da série de televisão, a ideia do ator e roteirista Bruno Mazzeo e do diretor José Alvarenga Jr. era ultrapassar as barreiras do veículo e fazer um produto mais desafiador.

Produzida originalmente para o canal Multishow, "Cilada" também teve uma versão para o programa "Fantástico", da rede Globo. O protagonista, Bruno (vivido por Mazzeo), fazia piada com situações inusitadas do cotidiano. Na transposição para a telona, ele veio acompanhado de outros personagens, mas toda a concepção foi alterada – o objetivo era ser mais acessível e popular do que a série.

"A gente realmente quis se desapegar do formato do programa", afirma Mazzeo, em entrevista ao iG . "Seria uma traição com o espectador que paga ingresso para assistir a uma coisa que poderia ver em casa de graça. Pensando nisso, abolimos tudo que não era essencial do original. Nosso foco era a galera mais nova, por isso sentimos a necessidade de chutar mais a porta."

Daí surgiu a premissa da trama, na qual Bruno trai a namorada e, como consequência, vê um vídeo de sexo entre os dois cair na internet – vídeo, por sinal, nada lisongeiro em relação a seu desempenho na cama. É só uma pequena parte da história, que ainda tem pela frente muitas referências a ejaculação precoce e até transa com um travesti.

"Eram cenas difíceis, mas que a gente precisava fazer para chocar, balançar o público mais jovem, acostumado com o YouTube. Esse é um pensamento artístico", conta Alvarenga. "Muita gente da equipe ficava receosa, mas falava que se tivéssemos qualidade e competência, faríamos isso acontecer."

nullSegundo o cineasta, responsável por "Divã" e a versões de "Os Normais" para o cinema, o humor em cima do preconceito faz com que ele perca a densidade e seja esvaziado, um "avanço em termos de humor" na comédia nacional. Ele reconhece, no entanto, que de modo algum faria cenas picantes com um travesti na TV aberta.

"Isso na Globo é invendável. A Globo, e a televisão em geral, não pensa nem no beijo gay, quanto mais com um travesti", diz Alvarenga. "Esse Brasil que elege as pessoas que elege, em que a corrupção é clara, em que as escolas e hospitais são o que são, é muito desigual, não só em termos financeiros, mas de mentalidade. As pessoas não aceitam algumas coisas."

"Mas a televisão está tentando ampliar o discurso nesse país", continua o diretor. "É um processo mais lento, em função do tamanho e do público que a TV brasileira tem. Na novela, os caras estão juntos, existe o desejo entre eles, é tudo uma preparação. 'Macho Man' [humorístico na rede Globo dirigido por Alvarenga, estrelado por Jorge Fernando] é um sucesso nas noites de sexta-feira. Há três anos, isso era impossível."

Apesar dos desafios, os criadores de "Cilada.Com" visualizam limites para o mau gosto. Mazzeo, por exemplo, discorda dos humoristas que se escondem atrás do rótulo do politicamente incorreto. "Eu não gosto da baixaria pela baixaria. Politicamente incorreto o humor sempre é, mas a partir do momento em que passa a ser utilizado como salvo conduto para se fazer o que quiser, para a agressividade, acho errado. Se você manda seu síndico longe, por exemplo, isso não é politicamente incorreto, você só é mal educado."

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