"Professora Sem Classe" não cumpre o que promete

Comédia politicamente incorreta com Cameron Diaz não é tão perigosa quanto parece

Marco Tomazzoni, iG São Paulo | 18/08/2011 18:00

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Foto: Divulgação Ampliar

Cameron Diaz em "Professora Sem Classe": palavrões e maconha em escola primária

Virou moda. Depois de Jennifer Aniston se desconstruir como uma ninfomaníaca desbocada em "Quero Matar Meu Chefe", agora foi a vez de Cameron Diaz encarnar uma personagem politicamente incorreta. A atriz está em cartaz, a partir desta sexta-feira (19), em "Professora Sem Classe". Como o próprio nome já adianta, ela encarna o pesadelo das salas de aula: não gosta do que faz, maltrata os alunos e só quer saber de achar um marido rico. Pretexto, claro, para Diaz fazer em cena tudo que normalmente não poderia, de fumar maconha a propor sexo oral sem meias palavras.

É a febre dos filmes com classificação indicativa "R", que nos Estados Unidos só podem ser assistidos por maiores de 18 anos ou menores acompanhados pelos responsáveis. Desde "Se Beber, Não Case", que em 2009 arrecadou US$ 277 milhões só em território norte-americano e se tornou a maior bilheteria de uma produção para adultos desde "Um Tira da Pesada" (84), Hollywood percebeu que não precisava mais se preocupar apenas com histórias para crianças e adolescentes – havia público suficiente para lotar as salas de um filme com censura alta.

A partir daí, projetos que ficavam barrados nos estúdios pelo uso abusivo de palavrões, drogas e outros assuntos potencialmente ofensivos passaram a ganhar sinal verde sem maior dificuldade. "Professora Sem Classe", escrito por Gene Stupnitsky e Lee Eisenberg, dupla da série "The Office" e do vindouro "Os Caça-Fantasmas 3", é fruto dessa nova disposição, que provou ser uma aposta certeira – o filme custou US$ 20 milhões e até agora faturou US$ 191 milhões no mercado norte-americano e internacional, bem além das perspectivas mais otimistas.

A premissa realmente é boa. Cameron Diaz interpreta Elizabeth Halsey, uma professora de literatura em Chicago que acaba de levar um fora do noivo bom partido e precisa voltar a dar aulas numa escola primária. A escolha pela profissão, explica, se deu de forma prática: é um emprego autônomo, em que se trabalha poucas horas por dia e proporciona férias longas no verão. Sua rotina se resume a colocar na TV filmes clássicos de professores – "Ao Mestre Com Carinho", "Mentes Perigosas", "Meu Mestre, Minha Vida" – enquanto dorme na escrivaninha ou enche a cara de uísque.

Como não teve muita sorte em dar o golpe do baú nalgum jogador do Chicago Bulls ("os malditos se preocupam em guardar até a camisinha"), volta sua mira para o novo colega, um professor de matemática ricaço e almofadinha (Justin Timberlake, ex-namorado de Diaz). Ele não dá muita bola e a srta. Halsey coloca na cabeça que a solução é turbinar os seios a la Katy Perry. Vale tudo para conseguir o dinheiro, de embolsar a renda de uma lavagem de carros beneficente a prometer para os pais uma revisão carinhosa das notas do filho por uns trocados.

A grande reviravolta surge quando ela descobre que o professor da turma com maior nota numa avaliação estadual recebe uma bolada de bônus. É a deixa para colocar os filmes de lado e fazer os alunos afundarem a cabeça nos livros, usando métodos pedagógicos pouco ortodoxos.

Está aí a redenção da personagem, muleta que inevitalmente teria de surgir para a plateia perdoá-la. Não é uma mudança tão transparente e fluída assim – a história ainda reserva surpresas, acredite –, mas não deixa de alimentar o desejo de saber onde tudo aquilo iria parar se a inadequação continuasse.

Esse sentimento é o que fica do filme dirigido por Jake Kasdan ("A Vida É Dura - A História de Dewey Cox"): ele promete bem mais do que entrega. Os palavrões, o sarcasmo, o humor negro até estão lá, mas não funcionam tão bem quanto deveriam. Há um esforço tão grande para ser cínico – em especial com Timberlake e a insuportável Lucy Punch (no papel de Amy Squirrel, a oponente certinha de Diaz) – que a graça se perde pelo meio do caminho. Justin é quem mais paga o pato (o sexo com roupas, por exemplo, não faz o menor sentido).

Foto: Divulgação

Diaz e Justin Timberlake: cantor e ator paga o pato na comédia

Os coadjuvantes, por outro lado, encontram o tom. A rechonchuda Phyllis Smith (também egressa de "The Office") rouba a cena como a colega tímida de Halsey e Jason Segel ("Eu Te Amo, Cara", "Ressaca de Amor") funciona como a única pessoa normal da história, o professor de educação física. Os diálogos rápidos dele e de Diaz, que insiste em desprezá-lo, são o que o filme tem de melhor.

E Diaz? Bem, assim como Aniston, a atriz se diverte como nunca falando e fazendo o maior número de absurdos que consegue, uma oportunidade rara que aproveitou como pôde. Se o resultado final não está à altura da acidez que a personagem parecia ter a princípio, a culpa não é dela. "Professora Sem Classe" até passa por média – só não tem o humor exemplar que parecia ser.

Assista ao trailer de "Professora Sem Classe"

Texto:
enviar por e-mail
* campos são obrigatórios
corrigir
* campos obrigatórios

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG


Previsão do Tempo

CLIMATEMPO

Previsão Completa

  • Hoje
  • Amanhã

Trânsito Agora

INDICADORES ECONÔMICOS

Câmbio

moeda compra venda var. %

Bolsa de Valores

indice data ultimo var. %
  • Fonte: Thomson Reuters
Ver de novo