Prefeitura suspende Festival de Cinema de Paulínia

Prefeito José Pavan Junior diz que recursos do evento serão realocados para "trabalho social" no município

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Futura Press
Público na fila para entrar no Theatro Municipal de Paulínia em 2011: festival suspenso
A prefeitura de Paulínia anunciou nesta sexta-feira (13) a suspensão do Festival de Cinema da cidade, cuja quinta edição seria realizada em junho. Em coletiva de imprensa pela manhã, o prefeito José Pavan Junior afirmou que os recursos para o evento serão realocados para outras áreas.

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"Foi uma decisão muito difícil, mas tivemos que priorizar o trabalho social que vem sendo realizado na cidade. Suspender não significa acabar", disse em comunicado. "Cerca de R$ 10 milhões que seriam investidos no Festival de Cinema serão direcionados para os trabalhos realizados na área social, como construção de novas escolas, casas, saúde e nos programas do meio ambiente."

Em conversa com o iG , Pavan Junior reconheceu que o festival estava previsto no orçamento de 2012, mas que os cortes não foram exclusivos da Secretaria de Cultura: várias pastas teriam sido afetadas, exceto Saúde e Educação. "Esse é nosso último ano de mandato, temos que entregar as contas, nos adequarmos e gastar o que arrecadamos, como manda a Lei de Responsabilidade Fiscal."

Conforme o prefeito, a ideia era de que ao longo dos anos o festival de cinema dependesse cada vez menos do investimento municipal e passasse a ser bancado pela iniciativa privada, o que não aconteceu. "Não vamos acabar com o festival. Quando empresas começarem a nos procurar, a gente repensa."

Desde sua criação, o Festival de Paulínia ganhou rapidamente destaque no cenário do audiovisual brasileiro. Primeiro evento no calendário dos festivais, sediava sessões no ostentoso Theatro Municipal e distribuía uma premiação graúda: no ano passado, os ganhadores da competição receberam no total R$ 800 mil, sendo R$ 250 mil só para o vencedor de melhor longa-metragem de ficção.

Não é por nada que muitos dos filmes brasileiros mais aguardados de cada ano reservavam suas estreias para o evento, até pela proximidade com o Pólo Cinematográfico da cidade. Mantido pela prefeitura, que tem os cofres inflados pelo município ser sede de um pólo petroquímico, o órgão abre editais para financiar longas e curtas-metragens e oferece estúdios, mão-de-obra e toda infra-estrutura para a produção na área.

Editais de cinema e SWU

De acordo com o prefeito, a suspensão do festival foi uma "decisão pontual" para esta edição e o Pólo Cinematográfico permanece funcionando normalmente, inclusive no segundo semestre devem ser publicados os novos editais para financiamento de longas e curtas.

Três longas devem começar a ser filmados em breve no complexo: "Trinta", de Paulo Machline,  "Acorda Brasil", de Sergio Machado, e "O Tempo e o Vento", de Jayme Monjardim. O primeiro recebeu R$ 700 mil de subsídio da prefeitura, enquanto os dois últimos foram contemplados com R$ 1,4 milhão.

Com relação aos boatos de que o festival SWU não seria realizado este ano em Paulínia, Pavan Junior disse que só ficou sabendo do caso pela imprensa. "O festival não é organizado pela prefeitura. Temos um acordo verbal com [o empresário] Eduardo Fischer de concessão de cinco anos do local para o evento. Não mudou nada. Se eles quiserem, a àrea continua à disposição."

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