Por favor, só uma pergunta, Diaba loura!

Repórter do iG conta que foi escalado de última hora para ser figurante em um filme e como acabou ganhando até uma fala

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

O melhor lugar para se posicionar em um set de filmagens é ao lado do diretor. Dali é possível ver as cenas acontecerem, acompanhar o movimento dos bastidores e não correr o risco de ser enquadrado por uma das câmeras. Mas é exatamente ao lado do diretor que não se deve estar quando ele precisa com urgência de um figurante. Acompanhando uma das cenas de “Totalmente Inocentes” , de Rodrigo Bittencourt, na noite de terça-feira (23), na favela Dona Marta, zona sul do Rio, fui “escalado” de última hora para entrar em quadro.

“Sim, você mesmo. Quebra essa! A gente precisa de repórter na cena”, me dizia a produtora Iafa Britz, enquanto eu, incrédulo, olhava para os lados para me certificar de que era comigo mesmo. Pela boa relação com a equipe de produção, aceitei. Afinal, pelo que foi explicado por Rodrigo Oliveira, assistente de direção, a cena não exigiria tanta carga dramática. “Basta que você seja repórter mesmo. A bandida Diaba Loura vai ser levada por policiais até o camburão e você tenta furar o bloqueio para falar com ela”, explicou. Nada além do que fazemos cotidianamente nas pautas de rua. Com a única diferença de que era tudo de mentirinha e repetido à exaustão.

Divulgação
Leo Ramos e Valmir Moratelli: equipe do iG em cena com os figurantes policiais

Fui então me preparar para a cena. Enquanto novato na função de ator, ouvi dicas com alguns falsos policiais, todos também na condição de figurantes. “Tem que ser você mesmo, ser natural”, disse um, enquanto comia biscoito maisena com café, lanche servido nos intervalos. “Aconteça o que acontecer, não olhe para a câmera. Isso é o que mais irrita o diretor”, dizia outro. Tudo que eu não queria era me dar mal logo no meu primeiro papel no cinema.

Ensaiamos três vezes. A produção convidou também outros repórteres e fotógrafos “de verdade” para preencherem a cena. “Quero cena com Rodrigo Santoro”, brincava uma repórter. “Meu melhor ângulo é o lado esquerdo”, retrucava o fotógrafo. Minha única aula de interpretação na vida foi a que assisti sobre stand up, na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras), também para a realização de uma matéria .

Agora era para valer. O diretor grita “ação”. Todo o “take” não dura mais do que dois minutos. Rodrigo elogia nossa atuação, dizendo que fomos bastante convincentes. A ponto de querer rodar de novo, agora mais próximo, com uma câmera na mão. Pede para que tenhamos expressão no rosto. Somos alçados a uma outra categoria de figurantes. Ganho uma fala ( a do título desta matéria )!

Os repórteres devem fazer perguntas aleatoriamente para Diaba Loura, enquanto ela é levada ao camburão. Ela é presa e segue a cena. Encarnado no próprio personagem, sigo o veículo, batendo no vidro a fim de falar com a delinquente. Mal de figurante é ter a doce ilusão de que pode roubar a cena.

Além da minha humilde participação, o filme conta com a presença de Viviane Pasmanter, Fabio Assunção , Mariana Rios , Fabio Porchat , entre outros. A previsão de estreia é para o começo do segundo semestre de 2012.

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