Ponyo mostra mar pela ótica de Miyazaki

Diretor de animação japonês dá sua versão para história da Pequena Sereia

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Divulgação
Ponyo, em sua forma humana, abraça Sosuke: amizade e fantasia na animação japonesa
O público brasileiro tem a partir desta sexta-feira a chance de conferir o novo trabalho do japonês Hayao Miyazaki, um dos mestres da animação contemporânea mundial, dono de imaginação ímpar. Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar , competiu há dois anos pelo Leão de Ouro no Festival de Veneza e, ao contrário das produções anteriores do diretor, é claramente voltado para crianças. O que não impede que jovens e adultos também se divirtam com as imagens e cenas que só a mente de Miyazaki poderia criar.

Baseado na fábula de A Pequena Sereia , de Hans Christian Andersen, o filme segue Ponyo, uma peixinha dourada mágica, filha de Fujimoto, humano que deixou sua vida para trás e se tornou um feiticeiro dos mares. Cansada de ficar dentro de um aquário no fundo do oceano, Ponyo consegue escapar e vai rumo à costa. Lá, acaba presa dentro de um pote de geléia e é salva por Sosuke, menino de cinco anos que adora brincar no mar. Os dois ficam amigos, mas as velhinhas do asilo onde a mãe do garoto trabalha advertem: "Peixes com rosto trazem tsunami", prevendo o rumo que a trama ia tomar. O pai de Ponyo resgata a filha, que só quer saber de voltar e se tornar humana. E, bem, ela consegue.

A trama, como se pode notar, não é nada convencional e é característica dos roteiros de Miyazaki, como Meu Vizinho Totoro , seu primeiro sucesso, e A Viagem de Chihiro , ganhador do Oscar de animação (batendo Era do Gelo e Lilo & Stitch ). Eles seguem um eixo diferente da realidade, em que o bizarro e o fantástico se cruzam, tanto pelas escolhas dos personagens como pela presença constante de criaturas curiosas. Ponyo, por si só, já seria estranha, mas seu pai e sua mãe – uma espécie de espírito do mar chamado Gran Mamare – ganham fácil nesse quesito.

Nada disso, porém, prejudica a compreensão do filme, pelo contrário. Pode causar certo impacto na primeira vez, mas em pouco tempo o espanto dá lugar ao encantamento. Os desenhos, delicados, cuidadosos, são feitos através da animação convencional, sem produção de imagens no computador, utilizado apenas como ferramenta na arte-finalização – Miyazaki chegou a traçar ele mesmo, à mão, os mar e as ondas. O mundo submarino surge, então, com cores e formas belíssimas, de deixar A Pequena Sereia da Disney com vergonha.

A história com fundo moral (ecologia, preconceito) não ofende a inteligência, ainda mais se pensarmos no público infantil, alvo claro do filme até na escolha da trilha sonora. No Brasil, Ponyo estreia nas principais capitais com cópias dubladas e legendadas para o áudio original – a versão em inglês, produzida por John Lasseter, da Pixar, e com vozes de elenco estrelado, ficou de fora..

Assista ao trailer de Ponyo - Uma Amizade que Veio do Mar :

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