Policiais tolos do Rio são alvo fácil em "Velozes e Furiosos 5"

Filme que tem Vin Diesel no elenco quer mostrar que todos podem ser corrompidos na cidade carioca

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

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Vin Diesel e Paul Walker em "Velozes e Furiosos 5"

Prepare os ouvidos para estrondos de bombas, tiroteios incessantes, motores acelerados – muito acelerados – e explosões que fariam qualquer ararinha-azul , por acaso sobrevoando pela cidade, fugir para nunca mais voltar. Todo este barulho está em “Velozes e Furiosos 5”, que desta vez tem o Rio de Janeiro como cenário principal. E exatamente por isso a cidade foi escolhida para ter a primeira exibição mundial do longa, apenas para convidados e elenco, marcada para a próxima sexta-feira (15). A estreia nos cinemas acontecerá no dia 6 de maio.

O filme não decepciona os fãs da série. O mais rico e corrupto empresário do Rio de Janeiro é o foco do trio formado por Brian (Paul Walker), Mia (Jordana Brewster) e Dom (Vin Diesel). O ator português Joaquim de Almeida interpreta Hernan Reis, o tal chefão que recebe toda a grana do tráfico dos morros e tem sua fortuna roubada de forma surreal. O cofre, com toda a dinheirama, está localizado dentro do Batalhão da Polícia Militar, no centro da cidade. A relação amistosa do poder do Estado com os bandidos é tida no filme, o tempo todo, como costumeira.

Pensar que o líder do narcotráfico do Rio de Janeiro tem sotaque lusitano arranca risadas do público. Ficou a dúvida: por que não se escalou atores brasileiros para falar português?

O agente federal Luke Hobbs (Dwayne Johnson), ao escalar uma policial militar para auxiliá-lo na operação contra o bando de Brian, Mia e Dom usa um argumento típico do faroeste urbano: “Seu marido era policial e morreu há seis meses. Você está motivada. É a única no Rio que não pode ser comprada”. Nas cenas seguintes, o público fica logo sabendo que, sim, até ela pode ser corrompida na “cidade maravilhosa”. Não sobra ninguém para bancar o mocinho.

Quando o agente federal, a serviço do FBI, tem a chance de pegar a trupe de Vin Diesel, encurralada sob um viaduto, mais uma “piada”. “Você só esqueceu um detalhe. Não está nos Estados Unidos, está no Brasil. Aqui a situação é outra”, diz o personagem de Diesel, enquanto dezenas de bandidos armados aparecem para lhe dar respaldo. O agente, claro, foge sem prender ninguém. Capitão Nascimento não daria este mole.

“Popozuda” só na trilha sonora

Divulgação
Velozes e Furiosos 5
Não tente buscar no filme verossimilhanças com o Rio de Janeiro. Por mais mazelas e tropeços que se produza no cotidiano do combate ao crime organizado, chega a ser ridículo supor que dois carros arrastando um cofre imenso pelas ruas – e pela ponte Rio-Niterói – consigam fugir de uma imensa frota de veículos das polícias civil e militar. Que cidade é esta que não tem, na sua estrutura policial, ao menos um helicóptero para perseguir os carros dos bandidos?

O Rio ganha tomadas aéreas espetaculares, como o entardecer do Pão de Açúcar e sobrevoos na altura dos ombros do Corcovado, tendo a Baía da Guanabara como fundo. As perseguições de carros no meio das ruas foram gravadas nos Estados Unidos. Contrastes entre favela e prédios de luxo estão lá, sempre. Casarões da Lapa e a praia de Ipanema também serviram de cenário – as filmagens aconteceram nas duas primeiras semanas de novembro do ano passado.

O personagem Hernan Reis, para explicar sua atuação “empresarial” nos morros, dá uma pequena aula de como não ensinar a história do Brasil . “Os espanhóis chegaram aqui atirando. Os índios os expulsaram. Daí vieram os portugueses e trouxeram presentes. Por isso que até hoje os brasileiros falam português”, diz.

Na trilha sonora tem o funk “Vai, Popozuda”, de Edu K (que cabe muito bem durante um “pega” nas ruas), além de Marcelo D2 e, adivinhe só, bossa nova. É quando aparece o único close de bumbum do filme. Jordana Brewster, trajando um biquíni bem acima do tamanho apreciado nas areias cariocas, é bonita, mas fica devendo no quesito – para deixar o público de uma vez por todas, se não veloz, ao menos furioso.

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