Polícia e políticos são os alvos em "Tropa de Elite 2"

Filme, que estreia na sexta, deixa traficantes de lado e mira mazelas da corrupção

Guss de Lucca, iG São Paulo | 06/10/2010 02:12 - Atualizada em 14/10/2011 14:43

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Foto: Divulgação

Não se iluda pela gravata: apesar de maduro, Nascimento tem seus momentos de capitão em "Tropa de Elite 2"

Nenhum personagem foi tão celebrado no ano de 2007 quanto o capitão Nascimento, papel de Wagner Moura em "Tropa de Elite". A postura rígida do oficial do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), fruto de seu repúdio por traficantes, usuários de drogas e policiais corruptos, caiu no gosto dos brasileiros, além de uma série de jargões curiosos – não necessariamente do personagem, mas tão envolventes quanto se fossem.

O boca a boca foi a melhor divulgação do longa-metragem, pirateado e assistido bem antes de sua estreia oficial nos cinemas, e seu ápice foi a vitória no Festival de Berlim de 2008, de onde o diretor José Padilha saiu com o Urso de Ouro de melhor filme.

Agora, três anos depois de todo o alvoroço, "Tropa de Elite 2" chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira com a expectativa de mais sucesso, mais jargões e mais atitudes severas do capitão Nascimento – desta vez não apenas como integrante do BOPE, mas atuando como subsecretário de Inteligência da Secretaria de Segurança da cidade do Rio de Janeiro.

Logo no início o filme mostra uma rebelião no presídio de Bangu I, chefiada pelo traficante Beirada (Seu Jorge). Toda a operação que envolve o fim do problema serve de pretexto para reapresentar personagens do primeiro filme, como o próprio Nascimento e seu pupilo, André Matias (André Ramiro), e introduzir novos, como o acadêmico e defensor dos direitos humanos Diogo Fraga (Irandhir Santos).

Após um desfecho trágico, o então tenente-coronel Nascimento é promovido para a Secretaria de Segurança – a contragosto do secretário e do próprio governador, mas como explica o próprio policial, "a opinião pública gosta de ver bandido morto". E essa afirmação resume bem a diferença do que a plateia vai encontrar nessa nova história: sem os ladrões de regata e chinelo, entram os de terno e gravata.

Se no primeiro filme o diretor José Padilha deixou transparecer no BOPE uma solução para o problema da violência no Rio de Janeiro, agora o cineasta desfaz o mal entendido e mostra que ao matar traficantes, "os caveiras" colaboram com outro lado do sistema: as milícias.

Foto: iG

Fachada do Theatro Municipal de Paulínia, no interior de São Paulo, na premiére de "Tropa de Elite 2"

Formadas por policiais corruptos, elas assumem as favelas cariocas extorquindo dinheiro de comerciantes e moradores – quase sempre de maneira tão ou mais brutal que os traficantes que ali viviam. E é aos poucos que Nascimento descobre que seu trabalho de duas décadas no BOPE foi insuficiente – e a recompensa amarga: enquanto no plano profissional ele é obrigado a conviver com a lama política, no pessoal o relacionamento com o filho é posto em xeque pelos questionamentos de sua ex-mulher e o novo marido.

"Tropa de Elite 2" é mais pesado que seu antecessor, pois reflete o lado mais perverso da criminalidade no Brasil: a corrupção. É mais fácil para o público assistir à tragédia do criminoso de chinelo, que invariavelmente acaba preso ou morto, do que acompanhar o desenlace do criminoso de gravata, que após um tempo distante da mídia ressurge em santinhos da próxima eleição – e ainda consegue votos.

As palmas no término da exibição do filme, exibido na noite desta terça-feira no Teatro Municipal de
Paulínia, indicam que José Padilha acertou novamente. E o público pode ficar aliviado: apesar de
amadurecido e amargurado, o subsecretário Nascimento ainda tem seus momentos de capitão Nascimento.

Assista ao trailer de "Tropa de Elite 2":

 

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