"Planeta dos Macacos - A Origem" dá novo fôlego à franquia

Com efeitos especiais impressionantes, filme coloca humanos como coadjuvantes da história

Marco Tomazzoni, iG São Paulo | 25/08/2011 18:36

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Fenômeno na virada da década de 1960 para a de 1970, "O Planeta dos Macacos" deu origem a uma franquia milionária que ficou adormecida, incrivelmente, por anos. Tim Burton fez uma excêntrica refilmagem da obra original em 2001 e perdeu a chance de reacender a centelha. Dez anos depois, a situação mudou: assim como nas sequências do primeiro filme estrelado por Charlton Heston, a Fox contratou roteiristas que tentaram encontrar um viés diferente para a história. Pescando elementos dos filmes anteriores, "O Planeta dos Macacos - A Origem", que estreia nesta sexta-feira (26), faz justamente isso – conta como os símios inteligentes vieram ao mundo, pelo ponto de vista de um deles.

Dos anos 1960 até hoje, a saga de "O Planeta dos Macacos"; veja o vídeo

A convite do iG, especialistas em terapia gênica e comportamento animal assistem a "Planeta dos Macacos – A Origem” e separam a ciência da ficção

Foto: Divulgação

O macaco César ergue o braço no clímax na ponte Golden Gate, em São Francisco: revolução dos bichos

Uma "prequel", ou seja, uma trama que se passa antes da original, parecia mesmo a melhor forma de colocar o vagão de volta nos trilhos. Quando "Planeta dos Macacos" foi lançado em 1968, baseado num livro de Pierre Boulle (também autor de "A Ponte do Rio Kwai"), o contexto era outro, e a trama futurista – o filme se passa 2 mil anos no futuro – serviu para elaborar uma alegoria da época. Guerra fria, tensão nuclear, preconceito e até macartismo eram abordados de forma nem tão velada. Esse olhar crítico e político, que se estendeu para as sequências, perdeu o bonde da história com o passar do tempo. Por isso, fazia mais sentido agora focar nas diferenças entre as raças e na natureza destrutiva do homem.

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"A Origem" se passa nos dias de hoje, quando o cientista Will (James Franco) coordena pesquisas com vírus para aperfeiçoar a neurogênese, em busca da cura do mal de Alzheimer, doença que seu pai (John Lithgow) sofre. E como toda história com vírus, essa não acaba bem.

Os testes com macacos pareciam ter sucesso até que um contratempo acaba na morte de Olhos Brilhantes (mesmo nome que Heston recebia no primeiro filme), uma chimpanzé que deixa um bebê para trás. O chefe da companhia interrompe a pesquisa e Will leva clandestinamente o macaquinho para casa. Logo o animal revela inteligência fora do comum – fruto dos experimentos com sua mãe – e a parte interessante começa.

Ele é César (batizado em razão da tragédia escrita por Shakespeare), e logo se torna o centro da história. A grande diferença é que, ao contrário das produções anteriores da franquia, pela primeira vez os macacos não são humanos fantasiados. Foi utilizada a mesma técnica de captura de movimentos de "Avatar": usando sensores no rosto e pelo corpo, atores interagiam normalmente com o cenário e outros personagens (assista aos bastidores).

Depois, com efeitos especiais, eram substituídos digitalmente por animais dotados de seus trejeitos e expressões. Foi a primeira experiência da Weta Digital fora dos ambientes controlados de estúdio, com fundo azul, e o resultado é espetacular.

Boa parte do mérito reside nas mãos de Andy Serkis, responsável por interpretar César. A essa altura um verdadeiro especialista na captura de movimentos - depois de viver Gollum em "O Senhor dos Anéis", o gorila de "King Kong" e o Capitão Haddock em "As Aventuras de Tintim" -, o ator britânico transmite ao símio uma riqueza de emoções e sentimentos até então inédita e impossível sem a tecnologia atual. Fiéis à sua natureza, os macacos tornam-se ao mesmo tempo seres complexos e, por isso, dignos de serem acompanhados de perto. Tornam-se, finalmente, as estrelas da série.

À medida que a trama evolui, César, já adulto, desenvolve consciência da maldade humana e do poder que tem nas mãos, em comparação a outros macacos. Incorpora uma postura de liderança e parte para uma revolução dos bichos, que dialoga diretamente com o quarto filme da franquia, "Batalha pelo Planeta dos Macacos" (73) – cujo herói, não por acaso, também se chama César. A sanguinolência desse filme, no entanto, dá lugar a um dilema moral muito mais rico e põe na balança quem, afinal, são as criaturas primitivas, os macacos ou o homem? A resposta reside num futuro apocalíptico.

Foto: Divulgação

Imagem mostra transformação de Andy Serkis em animal através de efeitos especiais

O protagonismo dos macacos é tão evidente que os roteiristas Rick Jaffa e Amanda Silver (do longínquo "A Mão que Balança o Berço", de 1992) não se preocuparam em desenvolver os humanos. Apesar de ser figura-chave dos acontecimentos, o cientista de James Franco não aparenta muito mais do que irresponsabilidade e obsessão, perambulando pelas cenas. Sua namorada (Freida Pinto) tem pequena participação e os outros personagens seguem basicamente por estereótipos, de gênero (como o chefe da companhia, cego pela possibilidade de lucro) ou até do próprio ator – caso de Tom Felton, tão malvado quanto seu Draco Malfoy da saga "Harry Potter". Incomoda? Nem tanto, até porque, no fim das contas, são todos coadjuvantes.

O desconhecido diretor Rupert Wyatt (do inglês "O Escapista", que tem Seu Jorge no elenco) recheou "O Planeta dos Macacos - A Origem" de referências aos filmes anteriores, piscadelas aos fãs. Vão desde pequenas homenagens a referências claras, como a aparição num noticiário da nave de Charlton Heston no longa original. Suficiente para provar que o passado da série não será ignorado nos próximos capítulos.

Assista ao trailer de "Planeta dos Macacos - A Origem"

E eles virão, isso é uma certeza. "A Origem" foi produzido e lançado de mansinho, sem estardalhaço, e conquistou de cara as plateias norte-americanas. Ficou por duas semanas no topo das bilheterias e, até agora, lançado apenas parcialmente no mercado mundial, já acumula US$ 260 milhões (R$ 418 mi), quase o triplo de seu orçamento. No Brasil, chega com 554 cópias e deve dominar o circuito.

O filme pavimenta o caminho para o reinício da franquia – a arte dos créditos finais, inclusive, é usada como um raro recurso narrativo para falar como o planeta se tornou a terra arrasada encontrada pelo astronauta Heston. Difícil dizer se vai retomar a mania dos anos 1970. Mas é, isso sim, entretenimento de primeira.

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