Paulínia dita "tendência" nos festivais do país, diz secretário

Festival de cinema distribui R$ 800 mil em prêmios, reúne celebridades e traz astros da MPB

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Do interior de São Paulo, está surgindo o melhor festival de cinema brasileiro do país. Pelo menos é isso que defendem os organizadores do Festival de Cinema de Paulínia, que inaugura sua quarta edição nesta quinta-feira (07) com "Corações Sujos", de Vicente Amorim, baseado na obra de Fernando Morais sobre a imigração japonesa no Brasil. Ao longo de sete dias, serão exibidos 27 filmes – 12 longas, 15 curtas – que vão brigar por um total de R$ 800 mil em prêmios, o maior do gênero.

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"Corações Sujos", de Vicente Amorim, sobre japoneses no Brasil pós-Segunda Guerra, abre o festival
Mais um motivo, portanto, para produtores e cineastas escolherem o evento para estrearem suas obras. No entanto, na opinião do secretário de Cultura do município, Emerson Alves, não é apenas o dinheiro que influi. Em entrevista ao iG , Alves conta que o prestígio da cidade como fornecedora de recursos para o audiovisual brasileiro pesa na decisão, assim como a curadoria do festival. Curadoria, aliás, que foi absorvida pela secretaria e ele agora coordena.

"Nossa curadoria, sem falsa modéstia, é uma das melhores do Brasil", afirma, confiante. "Por sermos o primeiro festival no calendário, os filmes que estão em Paulínia depois vão para Gramado, Rio e Brasília. Ditamos tendência."

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Rodrigo Santoro no drama "Meu País"
Para o secretário, a seleção desse ano é uma das "mais fortes" da história de Paulínia. Depois de "Corações Sujos" , exibido fora de competição, seguem "O Palhaço" , segundo longa-metragem dirigido por Selton Mello, com Paulo José na linha de frente, e "Meu País", drama de estreia de André Ristum, de cara com um elenco estrelado – Rodrigo Santoro, Cauã Reymond e Débora Falabella. A comédia "Onde Está a Felicidade?" , uma coprodução espanhola, é escrita e estrelada por Bruna Lombardi e dirigida por seu marido, o ator Carlos Alberto Riccelli.

Aposta da Warner Bros para o segundo semestre, "Os 3" mistura um triângulo de amor jovem e reality show. A direção é de Nando Olival, que fez "Domésticas" (2001) junto com Fernando Meirelles e o curta publicitário "Eduardo e Mônica", sucesso recente na web. Completam a disputa de ficção "Trabalhar Cansa" , thriller psicológico que representou o Brasil em Cannes, e "Febre do Rato", carta de amor em preto e branco de Cláudio Assis ("Amarelo Manga", "Baixio das Bestas") a Recife.

A programação ainda tem o esperado "Assalto ao Banco Central" , promessa de bilheteria para o final de julho, e toda a competição de curtas e documentários, entre eles "Rock Brasília – Era de Ouro", sobre a cena que gerou Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial.

O curioso é que quatro longas de ficção – mais da metade dos selecionados – foram financiados e rodados em parte em Paulínia, caso de "O Palhaço", "Meu País", "Onde Está a Felicidade?" e "Trabalhar Cansa". Emerson Alves rejeita a hipótese de que a coincidência crie conflitos na curadoria e defende que o fato do filme ter sido contemplado pelos editais do município "não é critério" para a seleção.

"Artisticamente falando, todos os filmes de relevância são avaliados pelo festival", garante. "Na verdade, os grandes lançamentos nacionais são rodados aqui, como os filmes de maior bilheteria desse ano, 'De Pernas pro Ar' e 'Bruna Surfistinha'. A gente está em maior sintonia com o mercado."

Celebridades e shows

Sétima maior renda per capita do Brasil, Paulínia é sede de um pólo petroquímico, que recheia os cofres da prefeitura. De olho em um mercado que pudesse gerar empregos e estimular a economia local, o município desenvolveu um projeto para a área audiovisual: criou um Pólo Cinematográfico, com estúdios, mão-de-obra e toda infra-estrutura para a produção da área, e lançou editais para repasse de recursos. Melo estima que nos últimos seis anos foram investidos no pólo R$ 100 milhões – só o orçamento anual da secretaria de Cultura para o setor é de R$ 20 milhões.

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Bruna Lombardi, estrela de "Onde Está a Felicidade?"
O custo para realizar o Festival de Cinema de Paulínia também não é acanhado, R$ 3,5 milhões pagos pelo município e outros R$ 1,5 milhão através de apoios e patrocínios. Os organizadores esperam receber por volta de 700 convidados, entre atores, cineastas e profissionais dos filmes concorrentes, mas também bancam a vinda de celebridades para abrilhantar o tapete vermelho nas sessões. Bruno Garcia, Thiago Lacerda, Maria Paula e Isis Valverde, por exemplo, têm viagem confirmada.

Melo admite a prática, segundo ele comum em eventos similares. "Todos os festivais brasileiros têm uma política de convidados. Mas a gente não paga pela presença de ninguém, nossa prioridade é o cinema nacional."

A novidade neste ano é a realização do Paulínia Fest, festival de música que será realizado de forma paralela à mostra de cinema, numa plataforma montada em anexo ao Teatro Municipal. A agenda se estende de quinta a sábado, só com nomes consagrados do cenário nacional: Rita Lee, Caetano Veloso e Seu Jorge, Gilberto Gil e Vanessa da Mata, que sobem ao palco depois das projeções do dia, por volta de 23h30. Ao contrário dos filmes, é preciso pagar para ver os shows – os ingressos variam de R$ 120 a R$ 280 por dia ( informações aqui ).

Conforme o secretário de Cultura de Paulínia, a expectativa é que entre 15 e 20 mil pessoas confiram as apresentações, uma experiência que, se der certo, será replicada nas próximas edições do festival de cinema. O público esperado para assistir aos filmes concorrentes com entrada franca é bem maior – 35 mil espectadores.

Veja abaixo a lista completa de filmes do Festival de Cinema de Paulínia 2011:

Longas de ficção
"A Febre do Rato", de Cláudio Assis
"Meu País", de André Ristum
"O Palhaço", de Selton Mello
"Onde Está a Felicidade?", de Carlos Alberto Riccelli
"Os 3", de Nando Olival
"Trabalhar Cansa", de Juliana Rojas e Marco Dutra

Documentários
"A Cidade de Imã", de Ronaldo German
"A Margem do Xingu", de Damià Puig Auge
"Ela Sonhou que Eu Morri", de Matias Bracher Mariani
"Ibitipoca, Droba Pra Lá", de Felipe de Barros Scaldini
"Rock Brasília – Era de Ouro", de Vladimir Carvalho
"Uma Longa Viagem", de Lúcia Murat

Curtas nacionais
"A Grande Viagem", de Caroline Fioratti (SP)
"Acabou-se", de Patricia Baia (CE)
"Café Turco", de Thiago Luciano (SP)
"O Cão", de Abel Roland (RS)
"O Cavalo", de Joana Guttman Mariani (SP)
"O Pai Daquele Menino", de Lemos Arthuso (SP)
"Off Making", de Beto Schultz (SP)
"Polaroid Circus", de Marcos Mello e Jacques Dequeker (RS)
"Qual Queijo Você Quer?", de Cíntia Domit Bittar (SC)
"Tela", de Carlos Nader (SP)
"Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida", de Denise Machi (RS)
"Uma Primavera", de Gabriela Amaral Almeida (SP)

Curtas da região de Campinas
"Argentino", de Diego Costa
"3x4", de Cauê Nunes
"Adeus", de Alessandro Barros

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