Os trabalhos de Bob Dylan no cinema

Mostra na Cinemateca Brasileira destaca os filmes do cantor e compositor

iG São Paulo |

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Bob Dylan em "Pat Garrett & Billy the Kid"
Como parte das comemorações dos 70 anos de Bob Dylan, lembrados nesta terça-feira (24), a Cinemateca Brasileira promove, em São Paulo, uma mostra com filmes estrelados pela lenda da música ou que prestam homenagem a ele. A abertura, às 20h, será realizada com a exibição de "Pat Garrett & Billy the Kid", faroeste de 1973 que marca a estreia de Dylan como ator em longa-metragem.

Além de atuar, o cantor também compôs a trilha sonora do filme, escrito por um velho amigo, Rudy Wurlitzer, e dirigido pelo experiente Sam Peckinpah ("Meu Ódio Será Tua Herança", "Sob o Domínio do Medo"). Já uma estrela mundial há quase uma década, Dylan era apaixonado por cinema, acostumado com as câmeras, e queria participar de alguma forma na história do delegado Pat Garrett (James Coburn) e do fora-da-lei boa pinta Billy the Kid, vivido por outro astro pop, Kris Kristofferson. Acabou pegando o papel de Alias, outro personagem real, que ajuda Billy the Kid. Se seu desempenho como ator pode cair no esquecimento, o mesmo não se pode dizer do carro-chefe da trilha, "Knockin' on Heaven's Door", uma das músicas mais famosas de sua carreira.

O primeiro trabalho de Dylan nas telas foi na produção para a TV britânica "The Madhouse on Castle Street", de 1963. Ele mal havia lançado seu disco homônimo e ainda era pouco conhecido, mas o álbum impressionou a rede BBC o suficiente para que ele fosse convidado a cruzar o oceano e se arriscar no papel principal. Não deu certo – Dylan hesitava muito na frente das câmeras – e ele acabou num papel secundário, cantando músicas como "Blowin' in the Wind". Hoje, tudo que resta de "Madhouse" é a lembrança: o programa acabou perdido nos arquivos da BBC.

A televisão ficou para trás e o próximo passo de Dylan no cinema foi o documentário "Don't Look Back" (1967), de D.A. Pennebaker, que registra o cantor numa turnê pela Inglaterra em 1965. Gravado em preto e branco, o filme flagra Dylan pouco antes dele chocar o mundo ao trocar o folk pela guitarra. Era um jovem artista confiante, um pouco presunçoso, mas seguro do que estava fazendo. Há participações de Allen Ginsberg, Marianne Faithfull e Joan Baez, entre outros. É de "Don't Look Back" o famoso clipe de "Subterranean Homesick Blues", no qual Dylan vai mostrando cartazes com os versos da música. Pennebaker acompanhou o cantor numa nova turnê no ano seguinte, que resultou em "Eat the Document", de 1972, montado pelo próprio Dylan e inédito no mercado doméstico.

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Dylan no documentário "The Last Waltz"
Já "The Last Waltz - O Último Concerto de Rock", de 1978, é, na verdade, sobre o show de despedida da The Band, banda de apoio de Dylan desde 1965 e um dos maiores grupos da história do rock mundial. Em 25 de novembro de 1976, Martin Scorsese filmou a apresentação no Winterland Ballroom, em São Francisco, que teve participações de Neil Younh, Joni Mitchell, Van Morrison e Muddy Waters, além, claro, do próprio Dylan. Scorsese voltaria ao universo do compositor no robusto "No Direction Home" (2005), documentário com mais de três horas, baseado na biografia de Dylan, que lança mão de entrevistas valiosas e farto material de arquivo.

Ainda na mostra da Cinemateca, está um dos únicos trabalhos do cantor como roteirista e ator: "A Máscara do Anonimato" ("Masked and Anonymous"), de 2003. Recebido com reservas pelo público e crítica, o filme mostra um futuro apocalíptico no qual um produtor musical, Tio Queridão (John Goodman), e sua auxiliar, Nina (Jessica Lange), procuram promover um concerto beneficente com o único objetivo de encher o próprio bolso. O posto de principal atração está reservado para Jack Fate, que acaba de sair da prisão e não é ninguém menos do que Dylan, ostentando em cena suas roupas, bigodinho e andar característicos. Dirigido por Larry Charles, roteirista da série "Seinfeld" e parceiro de Sacha Baron-Cohen em "Borat" e "Brüno", "A Máscara do Anonimato" apresenta um elenco de peso – Jeff Bridges, Penélope Cruz, Chris Penn, Luke Wilson, Angela Basset e Cheech Marin.

nullTambém ganham mais uma chance nos cinemas, e com cópia em película, "Não Estou Lá" (2007) e "Os Famosos e os Duendes da Morte" (2009). O primeiro, com direção de Todd Haynes, é uma cinebiografia nada convencional de Dylan, que é interpretado por seis atores diferentes – entre eles Christian Bale, Heath Ledger, Richard Gere e Cate Blanchett (!) –, cada um representando uma fase específica da carreira do compositor. Boa parte das referências é cifrada, portanto a indicação repousa em especial para os fãs ardorosos do cantor. Já "Os Famosos e os Duendes da Morte", trabalho de estreia em longa-metragem de Esmir Filho, conta a história de um adolescente no interior gaúcho que sonha em assistir ao show de Dylan em São Paulo e usa a internet como meio de comunicação e expressão.

Curiosidades de Bob Dylan nas telas que ficaram de fora da programação são "Hearts of Fire", fracasso de 1987 estrelado por Dylan (mais uma vez mostrando uma performance pífia) e por um jovem Rupert Everett; "Atraída Pelo Perigo" (1990), thriller de Dennis Hopper com Jodie Foster como protagonista, no qual o cantor faz uma ponta; e "Paradise Cove", outro fracasso, um noir com Ben Gazzara em que Dylan tem um pequeno papel. A maior ausência é "Renaldo e Clara" (1978), único trabalho de Dylan como diretor, mas com proporções mastodônticas – quatro horas de duração, intercalando três realidades: shows da turnê "circense" Rolling Thunder Revue, imagens de bastidores e uma parcela dramática, dos tais Renaldo e Clara. Pouco gente viu, ainda mais que o filme permanece inédito em DVD.

Serviço – Mostra "Bob Dylan no Cinema"
Cinemateca Brasileira, São Paulo
Largo Senador Raul Cardoso, 20
Ingressos: R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia-entrada). Exibições em DVD com entrada franca
Telefone: (11) 3512-6111, ramal 215
Confira a programação no site oficial

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