Os melhores filmes baseados na obra de Jorge Amado

Bem antes de "Capitães da Areia" chegar aos cinemas, autor baiano já era querido nas telas

iG São Paulo |

Figura frequente na televisão entre as décadas de 1970 e 1990, Jorge Amado andava meio sumido das telas. Com o centenário do escritor batendo à porta, em 2012, isso mudou. No ano passado, foi "Quincas Berro D'Água" . Agora, é a vez de "Capitães da Areia" , talvez seu livro mais popular, adorado pelos currículos escolares, chegar aos cinemas.

Enquanto vivia, Jorge, cada vez melhor relacionado com a Globo, se tornou o autor campeão de adaptações na TV nacional. Novelas e minisséries baseadas em sua obra fizeram história e foram fenômenos de público – "Gabriela", "Tieta", "Terras do Sem Fim", "Mar Morto", "Dona Flor e seus Dois Maridos" e por aí vai. Encantados pela sensualidade e por aquelas cores tipicamente brasileiras, os telespectadores não arredavam pé da sala.

No cinema, não foi muito diferente. A primeira adaptação de sua obra veio em 1948, com "Terra Violenta", de "Terras do Sem Fim", com Anselmo Duarte. Novas versões se sucederiam, até entrar os anos setenta e Jorge Amado virar febre. O maior estouro aconteceu em 1976, com "Dona Flor e seus Dois Maridos", visto por 10 milhões de pessoas no país. Procurado com frequência por produtores e lido mundialmente, o autor foi até jurado do Festival de Cannes.

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O iG listou os cinco melhores filmes baseados na obra de Jorge Amado. Confira abaixo.

Divulgação
Mauro Mendonça e José Wilker com "Dona Flor"
"Dona Flor e Seus Dois Maridos" (76)
Nada mais, nada menos, do que o segundo maior sucesso da história do cinema brasileiro, atrás apenas de "Tropa de Elite 2", que ganhou o título no ano passado. O diretor Bruno Barreto reuniu um elenco estelar para a adaptação: Sônia Braga como a professora de culinária Dona Flor, José Wilker como o fogoso ex-marido que volta dos mortos para apimentar sua vida, e Mauro Mendonça no papel do Dr. Teodoro, o farmacêutico que se casa com a viúva. O carisma dos atores e as faladas cenas de sexo e nudez levaram 10 milhões de espectadores aos cinemas. Não surpreende, portanto, que uma nova versão apareça em breve .

"Tenda dos Milagres" (77)
É uma adaptação, mas Nelson Pereira dos Santos colocou muito de sua visão em "Tendas dos Milagres". Amigo e fã da obra de Jorge Amado, que considerava esse seu melhor trabalho, Pereira dos Santos mais tarde filmaria também "Jubiabá" (86). Na história, um intelectual americano em passagem por Salvador resgata a figura de Pedro Arcanjo, que no início do século contestou o racismo, defendeu a miscigenação e documentou a cultura africana. Sexualidade, misticismo e até antropologia estão no caldeirão, que o cineasta encheu com doses generosas de loucura carnavalesca.
No elenco, Hugo Carvana e Anecy Rocha.

"Os Pastores da Noite" (79)
Depois de praticamente apresentar o Brasil para o mundo com a fábula "Orfeu Negro" (59), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o francês Marcel Camus voltou a mirar suas câmeras para país através do universo de Jorge Amado. Fascinado pelo sincretismo e o candomblé, o cineasta partiu do segundo dos três episódios de "Os Pastores da Noite", "O Compadre de Ogum", para escrever o roteiro do filme, também conhecido como "Otália de Bahia". O elenco é puxado por Mira Fonseca, Antonio Pitanga, Jofre Soares e Grande Otelo. A trilha sonora composta por Antonio Carlos e Jocafi talvez tenha sido até mais famosa do que o próprio longa-metragem.

Divulgação
Sonia Braga e Marcelo Mastroianni em "Gabriela"
"Gabriela, Cravo e Canela" (83)
Segundo filme de Bruno Barreto baseado na obra do escritor, traz também Sonia Braga, agora reprisando o papel que fez na televisão na novela de 1975 – com "Tieta do Agreste" (96), ela reafirmaria seu posto como "musa" da obra de Jorge Amado. Parte do sucesso de "Gabriela" está na relação apimentada entre a protagonista e seu marido, o turco Nassib, vivido no cinema por ninguém menos que Marcelo Mastroianni, devidamente dublado em português.

"Quincas Berro D'Água" (2010)
Uma das obras mais celebradas de Amado, a novela foi adaptada aos cinemas por Sérgio Machado ("Cidade Baixa"). Comédia das boas, traz Paulo José como o "morto muito louco" Quincas Berro D'Água, outrora membro da alta sociedade da Salvador, que troca tudo pela boemia. Como despedida, é tirado do leito de morte pelos fiéis companheiros de bebedeira (Luis Miranda, Irandhir Santos, Frank Menezes e Flavio Bauraqui) e levado nos braços para uma última farra. Um retorno delicioso à chanchada.

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