Homem de Ferro 2 , o grande blockbuster de 2010" / Homem de Ferro 2 , o grande blockbuster de 2010" /

O sucesso dos improváveis

Como Robert Downey Jr. e Mickey Rourke acabaram estrelando Homem de Ferro 2 , o grande blockbuster de 2010

Guss de Lucca, iG São Paulo |

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Robert Downey Jr. e Mickey Rourke na pré-estreia de Homem de Ferro 2 em Los Angeles
Se há 15 anos alguém dissesse que o filme mais esperado de 2010 seria estrelado por Robert Downey Jr. e Mickey Rourke poucos acreditariam – e algumas risadas seriam provavelmente ouvidas após a curiosa previsão. Isso porque em 1995 Rourke estrelou o drama policial Brincando com o Perigo , enquanto Downey Jr. encabeçava com Meg Ryan o elenco do longa histórico O Outro Lado da Nobreza  – ambos fracassos de crítica e bilheteria.

Além disso, por razões distintas os atores eram vistos com certo receio por grande parte dos produtores de Hollywood. Quem confiaria um filme com orçamento milionário a um ator que abandonou a atuação para dedicar-se ao boxe profissional, ficando inclusive um pouco desfigurado, ou a outro que passou cinco anos entrando e saindo de clínicas de reabilitação por causa de drogas e bebida?

Curiosamente, são esses os dois grandes destaques do aguardado Homem de Ferro 2 , segundo longa-metragem do personagem da editora Marvel e, possivelmente, a maior bilheteria dos cinemas em 2010, com estreia marcada para sexta-feira (30.04) nos cinemas brasileiros.

O badboy que virou ícone da cultura pop

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Robert De Niro e Mickey Rourke juntos em Coração Satânico (1987), de Alan Parker
Em essência, Mickey Rourke é um lutador. Antes de descobrir os palcos, era nos ringues que o jovem Rourke vislumbrava seu futuro. A carreira de boxeador só foi deixada de lado quando um amigo, que dirigia uma peça na Universidade de Miami, disse que havia perdido um dos atores e precisava de um substituto.

A experiência fez com que Rourke abandonasse as luvas e o encaminhou para uma carreira promissora, tendo alcançado aos 35 anos status de sex symbol e o respeito da crítica por suas atuações em Nove e Meia Semanas de Amor (1986) e Coração Satânico (1987), respectivamente.

Porém, no momento em que Rourke poderia conquistar papéis mais importantes em filmes de maior orçamento, ele resolveu abandonar o trabalho como ator para se dedicar em 1990 ao boxe profissional – carreira que deixou o galã com uma série de ferimentos, como nariz e costelas quebrados, maçã do rosto fraturada e lapsos constantes de memória.

Quando resolveu voltar aos filmes, Rourke precisou submeter-se a cirurgias plásticas para reconstruir seu rosto, cujo resultado não agradou o próprio ator e, de certa forma, colaborou para dificultar seu retorno após uma ausência de cinco anos.

Na década de 1990, a carreira de Rourke parecia definhar. O ator participou de filmes como A Colônia (1997), estrelado por Jean-Claude Van Damme, e Nove e Meia Semanas de Amor 2 (1997), tentativa frustrada de reassumir o papel de sex symbol abandonado nos anos 1980.

A grande mudança ocorreu apenas em 2005, com o lançamento de Sin City , adaptação da graphic novel de sucesso escrita por Frank Miller e dirigida por Robert Rodriguez. O papel do truculento Marv parecia contemplar Rourke, principalmente pelas características do personagem, que incluíam um rosto desfigurado e a atitude briguenta típica de um badboy.

Se o papel em Sin City representou o retorno do ator às grandes produções e sua consagração diante do público adolescente, o drama O Lutador (2008) pavimentou sua volta ao primeiro escalão de Hollywood. Na pele do lutador de luta livre Randy "The Ram" Robinson, Rourke parecia exorcizar seus próprios fantasmas ao colocar na tela o que pareceu uma história de redenção dupla – dele e do personagem.

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Mickey Rourke caracterizado como o vilão Whiplash no segundo filme da franquia Homem de Ferro

Agora, com o papel do vilão Whiplash em Homem de Ferro 2, Rourke prova mais uma vez sua popularidade entre os fãs de quadrinhos, convertendo ao inimigo do super-herói características que mais uma vez remetem ao próprio ator – as tatuagens e o cabelo comprido estão aí para sustentar a teoria que os melhores papéis de Mickey Rourke são os que ele interpreta versões de si mesmo.

Quando o ator problema encontra seu herói

De acordo com o imaginário popular, super-heróis costumam servir de exemplo para as pessoas comuns, salvando os fracos e inocentes em uma eterna luta por justiça. Se essa ideia é suficiente para definir personagens como Batman, Super-Homem e Homem-Aranha, ela definitivamente não se aplica ao Homem de Ferro. E talvez por isso a escalação de Robert Downey Jr. para o papel tenha dado tão certo.

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Robert Downey Jr. concorreu ao Oscar de melhor ator por Chaplin, de 1992
Após anos estudando artes cênicas, o ator conseguiu projeção nacional nos Estados Unidos em 1985 ao integrar o elenco do humorístico Saturday Night Live , que havia revelado nomes de peso como Steve Martin, Eddie Murphy e Bill Murray. Porém, um ano mais tarde, Downey Jr. foi demitido com parte de seus colegas, apontados pela crítica como responsáveis por uma das piores formações do programa.

Apesar do revés, o ator conseguiu papeis significativos em filmes de temática adolescente como O Rebelde (1985), O Rei da Paquera (1987) e Abaixo de Zero (1987), atraindo ótimas críticas por este último, em que representou um jovem rico que se rende ao vício pelas drogas e perde o controle da própria vida.

O papel foi apontado pelo próprio Downey Jr. como um tipo de "Fantasma do Natal Futuro", fazendo referência ao livro Um Conto de Natal , de Charles Dickens, por ter revelado ao ator o tipo de pessoa que ele se tornaria em poucos anos.

O papel principal em Chaplin (1992), em que interpretou o icônico Charles Chaplin, rendeu a ele uma indicação ao Oscar de ator, e sua carreira parecia entrar nos eixos com a participação em filmes como Morrendo & Aprendendo (1993), Short Cuts - Cenas da Vida (1993) e Assassinos por Natureza (1994).

Os problemas começaram em 1996, quando Downey Jr. foi preso por posse de heroína, cocaína e uma pistola Magnum 357 enquanto dirigia por Los Angeles. Durante cinco anos o ator compareceu a tribunais da Califórnia periodicamente, sendo sentenciado a princípio a submeter-se a exames de sangue mensais e, após não comparecer a um deles, a três anos de prisão em uma unidade especializada em tratamento de viciados em drogas.

Durante esse período o ator perdeu diversos papéis, entre eles o de protagonista de Melinda e Melinda (2000), comédia dirigida por Woody Allen, e na série de TV Ally McBeal , obrigando os produtores a reescrever e refilmar diversas cenas do programa.

O retorno às telas ocorreu de maneira tímida em Crimes de um Detetive (2003), filme que o ator só estrelou após receber o apoio do amigo Mel Gibson, com quem havia contracenado em Air América - Loucos Pelo Perigo (1990) e que bancou o seguro exigido pelo estúdio para aceitar a participação de Downey Jr.

Depois de passar por filmes pouco populares, como a ficção O Homem Duplo (2006) e o thriller Zodíaco (2007), Downey Jr. teve um ano inesquecível em 2008, estrelando o primeiro Homem de Ferro e ganhando uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante pela comédia Trovão Tropical, em que interpreta um ator de cinema branco que interpreta um fuzileiro negro em um filme de guerra.

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Robert Downey Jr. em Homem de Ferro 2: um super-herói cheio de erros, como o próprio ator
O diretor de Homem de Ferro , Jon Favreau , admitiu que Downey Jr. não era a escolha obvia para o papel, mas entendeu que ele tinha o necessário para fazer o personagem funcionar, encontrando muito de sua vida pessoal em Tony Stark – que, nos quadrinhos, passou por maus bocados por causa do alcoolismo.

A insistência do cineasta pelo astro, comparando seu papel ao de Johnny Depp na série Piratas do Caribe, revelou-se uma aposta certa e provou que as semelhanças de Downey Jr. ao super-herói, principalmente as ditas ruins, tornaram-se qualidades vantajosas diante do público.

Homem de Ferro 2 , com Robert Downey Jr. e Mickey Rourke nos papeis principais, é a prova de que até os mais improváveis podem alcançar o sucesso.

Veja abaixo o trailer de Homem de Ferro 2 :

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