"O Retorno de Tamara", de Stephen Frears, sai direto em DVD

Exibido em Cannes no ano passado, comédia temporada adapta graphic novel

Agência Estado |

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Gemma Artenton à vontade como Tamara Drewe
Elizabeth II, Chérie, Tamara Drewe. Stephen Frears filma mulheres como no passado filmou a pérfida marquesa de Merteuil ("Ligações Perigosas") ou a governanta de Mr. Jekyll ("O Segredo de Mary Reilly"). Ele não considera por isso que esteja atravessando uma fase "feminista": "O que significaria isso? Que eu atravessava uma fase gay quando fiz 'Minha Adorável Lavanderia' e todos aqueles filmes nos anos 1980?"

"Tamara Drewe", que está saindo diretamente em DVD no País – com o título de "O Retorno de Tamara" –, foi exibido em Cannes, fora de concurso, no ano passado. O filme é uma adaptação da graphic novel de Posy Simmonds, por sua vez baseada num clássico da literatura inglesa, "Longe Deste Insensato Mundo", de Thomas Hardy, que John Schlesinger transformou em filme com Julie Christie, em 1967. A nova versão propõe uma deliciosa mistura de sexo e bochincho numa comunidade rural, quando Tamara volta à cidadezinha em que nasceu para vender a casa da mãe, que morreu.

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Desde que foi embora, Tamara fez plástica no nariz, virou jornalista de sucesso e planeja escrever seu primeiro romance. Sua simples presença agita um resort para escritores e ela provoca o ódio mortal de duas gêmeas teens ao se envolver com um astro de rock que passa pelo lugarejo. Na linha de "Esposas Desesperadas", Tamara, interpretada pela deslumbrante Gemma Arterton, de "O Príncipe da Pérsia", também retoma a ligação com o ex, que virou um jardineiro, digamos, requisitado por seu potencial no atendimento de necessidades especiais (femininas).

Numa conversa na praia do festival, Frears, que já havia presidido o júri de Cannes, explicou como foi voltar com um filme fora de concurso e que não tinha a cara das obras sérias e autorais que concorrem à Palma de Ouro. "Isso aqui é o paraíso, mas é verdade. Meu filme não participa da competição. Seria ultrajante, entre tantos filmes que se querem sérios. Eu só quero divertir e me divertir, mas espero fazê-lo com dignidade e inteligência".

Não foi o interesse pela graphic novel que o encaminhou ao projeto. "Não é um universo ao qual seja ligado. Não fiz Tamara Drewe por isso. Fiz por causa da personagem e da atriz. Em geral não busco temas nem histórias. Não preciso. Ambos acham o caminho para chegar a mim. Recebo muita proposta de roteiros e seleciono as que mexem comigo."

O que mexeu com o diretor em "Tamara Drewe", ele admite, foi a presença dessa personagem estrangeira na própria terra e que vem bagunçar o organizado. "O mundo que Tamara subverte é um espelho do nosso. Hipocrisia, falsidade. Ela chega com uma displicente mistura de inocência e cálculo. É óbvio que tem contas a ajustar com o próprio passado, e vai fazê-lo. É uma personagem fascinante e Gemma (Arterton) é sexy, é linda." Frears acrescenta que queria explorar possibilidades de tratamento do sexo e do erotismo na tela, além do humor. "Meus filmes têm humor, mas raramente são comédias. Queria me exercitar nessa área."

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