O que aconteceu com a carreira de Robert De Niro?

Após mais de uma década protagonizando clássicos do cinema, ator passa a escolher papeis em filmes menores

Ricardo Calil, colunista do iG |

Com a estreia de “Os Especialistas” no Brasil nesta sexta-feira, uma velha pergunta volta à tona: o que teria acontecido com a carreira de Robert De Niro? Para os amantes do cinema, é um mistério entender por que o genial ator de “Taxi Driver”, “O Poderoso Chefão 2” e tantos outros se sujeita a servir de escada para o astro de ação Jason Statham em um abacaxi desse porte, desprezado pela crítica e ignorado pelo público.

Divulgação
Robert De Niro em "Os Especialistas"

Se fosse uma exceção, o caso poderia passar despercebido, como uma má escolha ocasional. Mas a verdade é que a mediocridade se tornou regra entre os filmes recentes escolhidos por De Niro. Nos últimos 10, talvez 15 anos, ele tem se revezado entre comédias inconsequentes, cujo ponto baixo deve ter sido “As Aventuras de Rocky & Bullwinkle” (2000), filmes de ação dos quais ninguém se lembra, como “O Último Suspeito” (2002), e suspenses que todos preferem esquecer, como “O Amigo Oculto” (2005).

Ok, há nessa fase de sua carreira alguns sucessos que são menos ingênuos do que aparentam, como “Máfia no Divã” (1999) e os dois primeiros filmes da série “Entrando numa Fria” - em que ele essencialmente compôs caricaturas do personagem durão que o celebrizou. Também existem alguns bons papeis dramáticos como coadjuvante em filmes de prestígio, como “Homens de Honra” (2000) e “O Bom Pastor” (2006), que o próprio De Niro dirigiu.

Mas nenhum deles chegou perto dos grandes momentos da carreira desse monstro do cinema. Se levarmos em conta apenas a parceria com o cineasta Martin Scorsese, ele brilhou em oito filmes, incluindo obras-primas como “Taxi Driver”, “Touro Indomável” (1980), “Os Bons Companheiros” (1990) e “Cassino” (1995). Com outros cineastas, tem no currículo “1900” (1976), “O Franco Atirador” (1978), “Era uma Vez na América” (1984), “Os Intocáveis” (1987) e “Fogo contra Fogo” (1995).

Neste último, ele atua ao lado do outro grande ítalo-americano da interpretação surgido nos anos 1970: Al Pacino. Mas, embora este também tenha seus deslizes, também tenha recaído no "overacting", Pacino conseguiu manter seu status, revezando-se entre filmes comerciais e projetos autorais, como “Ricardo III - Um Ensaio” (1996).

Por que, com todo o status acumulado em sua carreira, De Niro não consegue encontrar um equilíbrio semelhante? Por que, com o dinheiro que também conseguiu guardar, ele não pode selecionar melhor os filmes de que participa?

Há muitas hipóteses e nenhuma conclusão: ele está cansado de papeis exigentes como o de “Touro Indomável”, que exigiu que ele engordasse 27 quilos; ele quer comprar uma mansão nova em Malibu, ele quer se divertir mais no set, ele está mais interessado em outras atividades, como promover seu festival de cinema em Tribeca.

Mas só o próprio De Niro poderia dar uma resposta definitiva. Mas, para todos os admiradores de seu talento como ator, há pelo menos uma boa notícia no horizonte: depois de 16 anos, ele deve voltar a trabalhar com Scorsese, em um novo filme sobre o universo da máfia, ao lado de Al Pacino. Uma receita que raramente costuma falhar. Mais do que agradecer, os amantes do cinema suspiram aliviados.

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