O melhor e o pior de Nicolas Cage

Veja os cinco acertos e cinco erros da vasta carreira do ator que estrela o novo "Reféns"

iG São Paulo |

Se há alguém que trabalha em Hollywood, esse alguém é Nicolas Cage.

Aos 47 anos, o sobrinho de Francis Ford Coppola tem 55 longas-metragens no currículo, média de mais de um por ano de vida. Comparado com outros atores da mesma geração, é um assombro: Tom Cruise, por exemplo, já fez 34 filmes, e Johnny Depp, 38.

O mais recente da carreira de Cage é o suspense "Reféns", de Joel Schumacher ("Batman Eternamente"), que estreia nesta sexta-feira (11) e no qual faz par com Nicole Kidman.

Divulgação
Nicolas Cage e Nicole Kidman em "Reféns"

Esse ritmo intenso não é por nada: Cage está à beira da falência. Processos de ex-mulheres e dívidas milionárias com o imposto de renda deixaram a situação financeira do astro, um gastador compulsivo, em pleno colapso. No ano passado, a Justiça norte-americana chegou a leiloar algumas das mansões de Cage para saldar hipotecas atrasadas.

No desespero por equilibrar as contas, o jeito foi se atirar no trabalho e não dar bola para projetos de gosto duvidoso, desde que o salário ajudasse a diminuir o rombo no banco. De 2006 para cá, Cage lançou em média entre três e quatro filmes por ano. Não há senso crítico que resista a um ritmo desses. Bombas como "Caça às Bruxas" e "Fúria sobre Rodas" se tornaram corriqueiras e Nicolas Cage está se rapidamente se tornando sinônimo de produções B.

Análise: O encontro de um bom ator com um filme medíocre

Nem sempre foi assim. Mesmo se assumindo como uma engrenagem da máquina hollywoodiana, o ator desde o início se dividiu entre filmes comerciais e outros com proposta autoral. Foi um desses, o drama "Despedida em Las Vegas", que lhe rendeu o Oscar em 1996.

Verdade que nem todo mundo aprecia a "intensidade", digamos, de Cage – não raro a energia do ator em cena descamba para o exagero, mas há quem consiga aproveitar isso de forma positiva e extrair performances arrasadoras.

Essa gangorra entre brilhantismo e canastrice se tornou uma constante na trajetória de Cage. Veja abaixos os cinco melhores e o cinco piores papéis do ator escolhidos pela equipe do iG .

OS MELHORES

"Arizona Nunca Mais" (1987)
O segundo longa-metragem dos irmãos Coen é uma comédia com a cara dos caipiras do interior norte-americano. De bigode, cabelos compridos e ar pateta, Cage – em um de seus primeiros trabalhos como protagonista – é Hi, ladrão pé-de-chinelo que se apaixona pela policial Ed (Holly Hunter) na delegacia. O casal junta os trapos, mas para a alegria ficar completa ainda falta um filho, que não vem. Hi, então, resolve roubar um dos quíntuplos de um magnata local. Confusões, frases antológicas e personagens bizarros – um típico filme dos Coen.

"Feitiço da Lua" (1987)
No mesmo ano, Cage estreou como galã na comédia romântica "Feitiço da Lua", um dos maiores sucessos de bilheteria à época. Nas mãos do veterano cineasta Norman Jewison ("No Calor da Noite", "Jesus Cristo Superstar"), o ator deu vida a Ronny, padeiro maneta que se apaixona perdidamente pela namorada do irmão mais velho, Loretta (a cantora Cher). O jogo de sedução dos dois movimenta a história, ambientada num mundo de certa forma familiar a Cage, a comunidade de imigrantes italianos em Nova York. "Feitiço da Lua" rendeu a primeira indicação do ator ao Globo de Ouro e ganhou três Oscar: roteiro, atriz (Cher) e atriz coadjuvante (Olympia Dukakis)

"Despedida em Las Vegas" (1995)
Aos 31 anos, Nicolas Cage se tornou um dos mais jovens ganhadores do Oscar de melhor ator por interpretar um alcoólatra que, após perder o emprego e o respeito da família, resolve ir para Las Vegas e beber até morrer. Cage se preparou para o papel tomando grandes porres na Irlanda e assistindo depois às gravações. Deu certo: ao lado de Elizabeth Shue, a prostituta que testemunha a morte lenta do personagem, Cage apresentou uma performance dilacerante, possivelmente a única unanimidade de sua carreira.

"Adaptação" (2002)
Depois do sucesso do amalucado "Quero Ser John Malkovich" (99), Spike Jonze e o roteirista Charlie Kaufman radicalizaram ainda mais em "Adaptação", apostando em uma brincadeira metalinguística de deixar muita gente coçando a cabeça. Usando peruca encaracolada e enchimentos, Cage foi escalado para interpretar o próprio Kaufman durante uma crise criativa e também seu fictício irmão gêmeo, Donald, que do nada resolve escrever roteiros e acaba se dando bem. Cage, Meryl Streep e Chris Cooper foram indicados ao Oscar por seus papéis, mas só Cooper saiu da festa premiado, com a estatueta de melhor ator coadjuvante.

"Vício Frenético" (2009)
Apesar de intensos, os anos 00 não foram nada generosos com Nicolas Cage, em particular de 2005 em diante. "Vício Frenético", dirigido por Werner Herzog, é uma raras exceções entre a enxurrada de más escolhas do ator. Livremente baseado em um filme de 1992 de Abel Ferrara, o roteiro segue o sargento Terrence McDonagh (Cage) logo depois da passagem do furacão Katrina por Nova Orleans. Com dores crônicas nas costas, em pouco tempo o policial pula do vício em analgésicos para drogas pesadas – cocaína, crack e o que mais vier – enquanto tenta descolar dinheiro para pagar dívidas com apostas. O fato de McDonagh estar o tempo inteiro alterado é perfeito para o histrionismo de Cage. O exagero habitual do ator nunca veio tão a calhar.

OS PIORES

"Con Air - A Rota da Fuga" (1997)
Após a vitória no Oscar, Nicolas Cage resolveu virar herói de filmes de ação. Se deu bem ao lado de Sean Connery em "A Rocha" (96) e aí engatou uma série de outros, entre bons ("A Outra Face"), medianos ("8mm") e, a maior parte deles, ruins. Apesar da boa bilheteria, "Con Air" está entre os últimos. Com uma vasta cabeleira, sempre esvoaçante, Cage interpreta um detento bom moço prestes a ser libertado que se vê em meio a um motim num avião lotado de criminosos perigosíssimos – o mais malvado deles é John Malkovich, que "matou mais gente que câncer". Sobra espaço para explosões, personagens caricatos e exagero. Descrição de um filme de ação genérico? Exatamente. Só que pior.

"O Capitão Corelli" (2001)
Baseado no best-seller homônimo, o romance histórico traz Cage como um soldado italiano na Segunda Guerra Mundial que participa da conquista de uma ilha grega. Naquele ambiente idílico, o capitão Corelli toca seu bandolim e se apaixona pela belíssima Pelagia (Penélope Cruz, no início da carreira em Hollywood). O vai-não-vai da história nos moldes de Pocahontas irrita mais do que cativa e a química dos atores ficava abaixo de zero – Cruz, inclusive, recebeu uma indicação ao Framboesa de Ouro. Nem os fãs do livro gostaram. Para tirar o filme da pasmaceira, só se Corelli espatifasse seu bandolim nas rochas da ilha.

"O Sacrifício" (2006)
Saudado por muita gente como o pior dos piores filmes de Nicolas Cage, "O Sacrifício" conseguiu boa parte do crédito por conta das comparações com o original: trata-se de uma refilmagem do cultuado horror britânico "O Homem de Palha", de 1973. O roteiro sofreu várias modificações para contar a história de um detetive da polícia (Cage) que viaja até uma ilha em busca de uma menina desaparecida. Lá pelas tantas, descobre que o lugar é governado por uma seita só de mulheres, que acreditam em sacrifícios humanos. O próprio Cage, mais tarde, admitiu que o filme era absurdo – talvez por isso parecesse estar tirando sarro de si mesmo o tempo todo. Ao menos duas cenas emblemáticas são festejadas na internet: numa, o policial é torturado com abelhas na cabeça; na outra, Cage, vestido de urso, nocateia uma mulher. A risada é garantida.

"Motoqueiro Fantasma" (2007)
Nicolas Cage conseguiu provocar a ira dos amantes de quadrinhos com essa adaptação do personagem da Marvel. Livremente baseado nas histórias originais, o roteiro conta como o dublê Johnny (Cage) vendeu a alma ao diabo para curar o câncer do pai e acabou amaldiçoado com os poderes do Motoqueiro Fantasma, entidade sobrenatural com cabeça flamejante, corrente de fogo e o poder de praticamente destruir almas com o olhar. Um cara durão, portanto, que causou humor involuntário ao tentar ser mais "dramático". A trama tem alguma coisa a ver com um filho do demônio querendo dominar o mundo - e o Motoqueiro luta contra espíritos malvados. Efeitos especiais pouco convincentes e uma peruca infame só deixaram tudo mais vergonhoso. A sequência, prevista para 2012, pretende retirar a má impressão.

"O Aprendiz de Feiticeiro" (2010)
A superprodução da Disney (US$ 150 milhões), destinada ao público pré-adolescente, apostou tudo no carisma de Nicolas Cage e nos efeitos especiais. Esqueceu, claro, do roteiro, que mal parava em pé. O ator interpreta o mago Balthazar, que escolhe um jovem universitário como herdeiro dos poderes de Merlin – o tal aprendiz do título. Obviamente há uma luta entre o bem e o mal (encarnado por Alfred Molina), e o rapaz faz suas burradas enquanto descobre um mundo mágico. Mas as risadas são garantidas mesmo por Cage, que, além da habitual peruca cabeluda, completa o visual com um chapéu de abas largas e sobretudo preto. Com isso em cena, nem carecia gastar milhões em computação gráfica.

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