O Golpista do Ano: uma comédia abusada

Baseado em fatos reais, filme com Jim Carrey e Rodrigo Santoro conta uma história de amor gay, com cenas quase explícitas

Ricardo Calil, colunista do iG Cultura |

Divulgação
Rodrigo Santoro e Jim Carrey: cenas de amor quase explícitas
Jim Carrey cobrou o valor mínimo da tabela do sindicato dos atores para fazer O Golpista do Ano e garantir que a produção tivesse dinheiro para ser concluída. O filme teve enormes dificuldades para encontrar um distribuidor nos Estados Unidos e, por isso, estréia antes no Brasil, nesta sexta-feira.

Ao ver o filme, é fácil entender os motivos. O Golpista do Ano talvez seja a mais abusada comédia hollywoodiana em muito tempo. Uma história de amor gay, com cenas quase explícitas, protagonizada por grandes astros. Uma obra que ousa em constantes mudanças de gênero (comédia, drama, romance, filme de prisão) e nas intermináveis reviravoltas na trama.

É quase inacreditável ver que O Golpista do Ano é baseado em uma história real. O filme é a biografia de Steven Russell (Carrey), garoto adotado que se torna um homem religioso, um marido e pai dedicado, um policial de respeito. Até que um dia ele quase perde a vida em um acidente de carro e decide sair do armário e mudar de vida.

Logo ele descobre que ser gay pode custar caro – literalmente. Ele torra todo seu dinheiro para bancar uma vida glamorosa para si e para seu namorado (Rodrigo Santoro, com um papel mais consistente e uma atuação mais convincente do que em outras experiências internacionais).

Para manter o luxo, Russell vai para o outro lado da lei: vira um golpista. Mas ele logo é descoberto e preso. Na cadeia, se apaixona pelo delicado Phillip Morris (Ewan McGregor). Com mais outros golpes, ele consegue sair da prisão e, algum tempo depois, tirar também o namorado. E, nesse ponto, estamos apenas na metade do filme.

É admirável a coragem dos diretores (os estreantes Glen Ficarra e John Requa, roteiristas de Papai Noel às Avessas ) e dos atores (Carrey, McGregor e Santoro) para encarar de frente lances da vida de Russell que muitos podem achar ultrajantes. Em vários momentos, O Golpista do Ano correrá o risco de ofender tanto pessoas politicamente corretas quanto homofóbicas.

Isso a torna uma grande comédia? Não, ainda mais numa época de bonança para o gênero nos EUA, com uma bela geração de atores (Will Ferrell, Steve Carrel, Jack Black) e diretores (Judd Apatow e irmãos Farrelly) dedicada ao ofício do riso.

Há tantas viradas na trama, tantas situações de risco, tantas piadas ofensivas que O Golpista do Ano torna-se cansativo a partir da metade da projeção e não chega a um resultado satisfatório em nenhum dos gêneros em que se arrisca. Mas é sempre melhor um filme que peca pelo excesso de equívocos e de ousadias do que a maioria absoluta dos que pecam pela ausência.


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