O Ano da França também se celebra na Feira do Livro de Paraty

A participação francesa na sétima edição da Festa Literária de Paraty (Flip) foi oficialmente iniciada nesta sexta-feira com uma entrevista coletiva concedida pelos três principais intelectuais de língua francesa presentes ao evento, o escritor e cineasta franco-afegão Atiq Rahimi, a escritora Catherine Millet e a artista plástica Sophie Calle.

AFP |

A Flip comemora nesta edição o Ano da França no Brasil. Para celebrar a ocasião, a cidade colonial localizada a 250 km ao sul do Rio de Janeiro, que no passado rechaçou diversas invasões de corsários franceses no século XVI, desta vez recebe com prazer e admiração os artistas francófonos.

Atiq Rahimi nasceu em Cabul em 1962, e deixou sua terra natal em 1984, para fugir da guerra contra os soviéticos. No ano passado, ganhou projeção internacional ao receber o mais importante prêmio literário francês, o Goncourt, por sua obra Sygné sabour: pierre de patience (Sygné sabour: pedra-de-paciência), na qual relata a repressão às mulheres no Afeganistão.

Ao falar sobre suas experiências pessoais, Rahimi expressou a sua visão sobre a situação atual atravessada pelo Afeganistão. "Vejo esta guerra no Afeganistão como um círculo de luto e vingança", disse.

"Quando voltei ao Afeganistão em 2002, tudo me pareceu um pesadelo. Não conseguia acreditar nas ruínas em que o Afeganistão se tornou. Não achei algo de mim naquele lugar", afirmou mais tarde Rahimi em sua mesa literária, em que abordou o tema "avesso do realismo". Ele concluiu sua participação afirmando que, apesar de tudo, os afegãos têm esperança, já que, como diz um antigo ditado afegão, "tudo acaba".

Catherine Millet também abordou suas experiências pessoais. A autora do livro "La vie sexuel de Catherine M." (A vida sexual de Catherine M.), no qual chocou os franceses contando detalhes de suas aventuras picantes, falou sobre seu último livro "Jour de souffrance" (A outra vida de Catherine M.), em que narra suas crises de ciúme diante da infidelidade do marido.

Ao ser ouvida sobre a diferença da mulher que se entrega à libertinagem para a outra que se desespera de ciúme, Catherine respondeu: "sou uma pessoa em contradição consigo mesma, que está sempre se desdobrando. É a mesma Catherine nos dois livros, mas com as contradições internas que qualquer um tem."

A mesa literária com Catherine Millet terá como tema "as sem-razões do amor" e será realizada no domingo à tarde.

Já Sophie Calle, que abordará o tema "entre quatro paredes" em sua mesa, fez grande sucesso com sua obra "Prenez soins de vous", quando expôs sua vida particular ao exibir a reação de várias mulheres à mensagem de rompimento de seu ex-namorado Grégoire Bouillier. "Prenez soins de vous" representou a França na Bienal de Veneza em 2007.

Curiosamente, Grégoire Boullier, estará ao lado de Calle na mesa literária do sábado de manhã. Será a primeira vez que os dois debaterão em público o término do relacionamento transformado em arte.

"Estar com Bouillier em Paraty não é marketing. Quis apresentar uma história de verdade. Essa história tem que ser contada, é natural para mim tratar este assunto com ele", explicou, acrescentando: "é errado considerá-lo uma vítima de meu projeto. Ele é um grande escritor, por isso foi convidado."

O Ano da França em Paraty promete bons debates e fortes emoções, o que certamente deixará os dezenas de milhares de brasileiros e estrangeiros que visitam a festa ainda mais apaixonados pela arte francesa.

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