Novo Fúria de Titãs é rascunho do original

Aventura mitológica perde encanto e conversão para 3D não convence

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

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Perseu (Sam Worthington) procura respostas com as bruxas: "onde foi que eu errei?" seria conveniente
Quando o remake do mitológico Fúria de Titãs foi anunciado, a reação inicial era um misto de euforia e medo. Se por um lado era tentadora a ideia de transpor para a realidade tecnológica do século 21 os efeitos stop-motion criados pelo mago Ray Harryhausen no primeiro filme, de 1981, por outro era grande o risco da nova versão falhar miseravelmente nas mãos de outra equipe. O resultado não é tão desastroso assim, mas fica longe da magia original. Culpem a ganância do estúdio.

Talvez para tornar a história mais palatável a plateias belicistas, o roteiro sofreu mudanças fundamentais. Enquanto a motivação do herói Perseu na década de 1980 era o amor da princesa Andrômeda, agora o combustível do semideus é a vingança. Filho de Zeus (Liam Neeson) com uma mortal, Perseu (Sam Worthington) é criado por pescadores sem saber de sua ascendência divina. Descontentes com a pobreza e as maldades do mundo, os humanos estão revoltados com o Olimpo e resolvem destruir seus templos e estátuas em louvor aos deuses. No meio dessa briga, a família de Perseu é morta num embate com Hades (Ralph Fiennes), o senhor das profundezas.

O herói acaba no reino de Argos, que logo é amaldiçoado por Hades: se a princesa Andrômeda (Alexa Davalos) não for sacrificada em dez dias, o temível monstro Kraken vai destruir a cidade e a todos. Ansioso por vingar sua família, Perseu se junta aos soldados da tropa do rei e aí a ação segue mais ou menos a linha original: a jornada até as bruxas Stygian, a luta pela cabeça de Medusa e a batalha contra o Kraken. Entre os personagens novos que entram e saem de cena sem importar muito, um se destaca: Io (Gemma Arterton), também uma semideusa, possível interesse romântico de Perseu.

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O temível Kraken: a razão de tudo
O principal conflito do novo Fúria de Titãs se passa na cabeça de Perseu: enquanto Zeus insiste em ajudá-lo com presentes dos céus, ele reluta em usá-los, já que pretende derrotar o Kraken como o homem normal que sempre foi, independente do pai. É claro que isso não é possível, e, bem, a trama não convence. Fica difícil torcer para o herói com uma motivação tão frágil –Perseu realmente acha que vai conseguir matar um deus? A presença de uma mocinha poderia criar uma empatia maior, mas Io tem uma participação fundamentalmente discreta e Andrômeda... Quem era ela mesmo?

Se a Warner já tinha pecado com o roteiro, entregue para o diretor francês Louis Leterrier ( O Incrível Hulk ), estragou a situação ainda mais quando decidiu adiar a estreia da aventura e, de olho nos lucros de Avatar , convertê-la para o formato 3D. É sabido que a qualidade dessas conversões não é boa e, nesse caso, o resultado foi ainda pior: as sequências de ação ficaram confusas e o 3D não tem grande impacto no resto do filme. Quando os créditos finais parecem ser a melhor parte, alguma coisa definitivamente está errada. Prefira, portanto, as salas tradicionais.

Pode ser injusto, mas se comparado aos filmes da franquia A Múmia , Fúria de Titãs com certeza se destaca – a mitologia, afinal, é um campo pouco explorado na Hollywood atual (uma exceção é o recente Percy Jackson: O Ladrão de Raios ) e ainda pode render muito. Não por acaso, o final é aberto e já se anda falando de uma sequência. É fazer figa para ela passe longe dos mesmos produtores. Por sinal, alguém solte solte o Kraken na sala desses executivos, por favor.

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