O Escritor Fantasma , diretor retorna à boa forma mostrando os bastidores do poder" / O Escritor Fantasma , diretor retorna à boa forma mostrando os bastidores do poder" /

Novo filme de Polanski é thriller alucinante

Em O Escritor Fantasma , diretor retorna à boa forma mostrando os bastidores do poder

Antonio Querino Neto, especial para o iG Cultura |

Divulgação
O diretor Roman Polanski e o ator Ewan McGregor no set de O Escritor Fantasma
Se o romance The Ghost , escrito pelo jornalista político Robert Harris (autor de sucessos editoriais como Pompéia e Enigma ) escorrega um pouco para certo discurso maniqueísta bem no estilo “teoria conspiratória“, o mesmo não se pode dizer do filme por ele originado. Conduzido pelo veterano Roman Polanski - que escreveu o roteiro em parceria com o próprio Harris –, O Escritor Fantasma encara a política apenas como um tempero irônico de fundo para um exercício nervoso e bem articulado de muito suspense e humor negro.

Na trama, acompanhamos um escritor meio picareta (o escocês Ewan Mc Gregor), sendo contratado para escrever num prazo curtíssimo as memórias do primeiro-ministro britânico Adam Lang (Pierce Brosnan). A má notícia é que o ghost writer anterior havia sido misteriosamente assassinado por afogamento, deixando o texto inacabado que ele deverá agora concluir. Bem pago, parecia um trabalho fácil, mal sabendo ele o que o esperava.

Levado à uma mansão para trabalhar, numa ilha próxima à costa americana, o escritor conhece Lang, envolve-se com sua manipuladora esposa (Olivia Williams) e sozinho se mete a desvendar o passado do político. Denunciado por desrespeito aos direitos humanos, Lang está sofrendo o assédio da mídia e a pressão da opinião pública.

Ninguém imagina um governante trabalhista britânico, que cai em desgraça por seu apoio à política norte-americana, sem lembrar imediatamente de Tony Blair, em quem o personagem Lang é mal disfarçadamente inspirado. Harris foi seu amigo no Partido Trabalhista e ao que tudo indica ficou desapontado com a adesão do premiê à guerra do Iraque, mas principalmente por Blair ter demitido um grande amigo seu.

Teria sido o livro uma vingança ? O escritor alega que a história previu o que aconteceria com Blair e seu governo. Em todo caso, Polanski (que até disse à Pierce Brosnan para “ esquecer Blair “ em sua performance) arma um clima que consegue romper um pouco esse tom engajado, unilateral e tão óbvio. Da secretária exageradamente formal (Kim Cattrall, de Sex and the City ) ao misterioso manifestante anti–Lang e o poderoso professor Emmett (o excelente Tom Wilkinson ), temos toda uma galeria de tipos esquisitos que lembra O Inquilino , Chinatown , O Bebê de Rosemary ou Busca Frenética , o que comprova que o melhor Polanski está de volta.

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