Nosso Lar conta a transição de um médico após a morte

Baseado em livro psicografado por Chico Xavier, filme não alcança grandes voos, apesar de ser o mais caro da história brasileira

iG São Paulo com agências |

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Cena do filme Nosso Lar, que estreia nesta sexta
Depois da biografia do médium Chico Xavier, lançada nos cinemas em abril passado, chega às telas uma das obras mais famosas psicografadas por ele: Nosso Lar , que estreia em circuito nacional. É uma megaprodução brasileira que aterissa hoje em 435 cinemas nacionais, com 400 cópias. O recorde no país foi o lançamento de 692 unidades de A Saga Crepúsculo - Eclipse , em julho. Se não deu para quebrar essa marca, o longa-metragem chega ostentando um outro número: orçamento de R$ 20 milhões é o maior da história do cinema brasileiro – antes dele, Lula, o Filho do Brasil , que custou R$ 12 milhões, era o recordista.

O filme narra a trajetória do médico André Luiz (Renato Prieto, de Bezerra de Menezes: O diário de um espírito ), que depois de morto aprende sobre a vida em outra dimensão. Num rápido flashback, logo depois da morte do protagonista, vemos momentos de sua vida na Terra, a infância, a juventude boêmia e a vida adulta ao lado da mulher e dois filhos pequenos. Isso é apenas uma introdução para o que virá, enquanto ele está numa zona chamada de umbral, uma espécie de purgatório onde padece até pedir misericórdia divina.

As cenas no umbral são os momentos mais pesados do filme, no qual André Luiz, mergulhado em lama, é cercado por gritos e sofrimento. Mas depois ele é resgatado e levado para o Nosso Lar, uma cidade num outro plano, conforme lhe explica Lísias (Fernando Alves Pinto, de Os Inquilinos ). Este se torna o melhor amigo do médico e o ajudará em sua jornada para compreender melhor o que está acontecendo consigo e como será sua nova vida.

É Lísias também quem leva André Luiz para conhecer a cidade Nosso Lar, numa espécie de tour onde tudo é muito bem explicado - às vezes, até demais – e conhece a organização "governamental" da cidade, além de lugares importantes, e meios de transporte. A concepção visual de Nosso Lar lembra a de filmes futuristas, com arquitetura repleta de linhas retas e o principal meio de transporte sendo o aerobus, uma espécie de ônibus aéreo, como explica seu nome.

Nosso Lar é a jornada de um homem em busca de sua redenção. Não é necessário conhecer espiritismo ou sua filosofia, pois o filme se preocupa em verbalizar tudo aquilo que é importante, o que muitas vezes acaba tirando a força que a trama poderia ter.

Em Nosso Lar , André Luiz conhece outras pessoas que estão na mesma condição que ele, mas esses personagens não têm uma dimensão mais profunda, são apenas exemplos de diversos tipos de espíritos – cada um reagindo à nova condição. Pouco depois do protagonista, chega à cidade Eloisa (Rosane Mulholland, de Falsa Loura ), sobrinha de Lísias e neta de Laura (Ana Rosa), que não se conforma por ter de deixar o noivo, que não morreu.

Eloisa tem a essência da rebeldia, da juventude, do não-conformismo. Enquanto André Luiz segue as regras na esperança de um dia poder visitar sua família ou, ao menos, se comunicar com a mulher e os filhos. A jovem, por sua vez, busca voltar à Terra por seus próprios meios.

Dirigido e roteirizado por Wagner de Assis ( A Cartomante ), Nosso Lar não ousa levantar voos formais ou temáticos. O objetivo do filme não é recrutar novos adeptos – tampouco questionar, uma vez que conta com o apoio da FEB (Federação Espírita Brasileira). Aqui, a intenção é levar para a tela algumas das histórias do livro homônimo, o que para seu público-alvo deve ser uma verdadeira visão do paraíso, ou melhor, de Nosso Lar .

* Com Reuters e Agência Estado

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