Nelson Xavier vai participar de terceiro filme espírita

Com 50 filmes no currículo, ator interpreta Chico Xavier e um psiquiatra em 2011

iG São Paulo |

TV Globo/Ique Esteves
Nelson Xavier em "Chico Xavier": experiência prolongada no papel
Olhar o currículo de Nelson Xavier é viajar pela história da televisão e do cinema brasileiro. Aos 69 anos, o ator paulistano já participou de nada menos que 50 longas-metragens e de um número não tão grande de novelas, mas que pela importância o mantém entre as lendas do audiovisual produzido no país. Ao chegar à maturidade, ele está vendo sua imagem cristalizada junto às novas gerações como estandarte do cinema espírita. Não é ao acaso: além de "Chico Xavier" de 2010, Nelson também está em "As Mães de Chico Xavier" , que estreia neste dia 1º, e tem uma terceira participação em um filme do gênero no segundo semestre.

Os primeiros trabalhos do ator do cinema foram em papéis secundários em "Fronteiras do Inferno" (1959), de Walter Hugo Khouri, e na ação "Cidade Ameaçada" (1960), de Roberto Farias. Viraria ícone, no entanto, como o soldado Mário em "Os Fuzis" (1964), de Ruy Guerra, um dos filmes mais aclamados do Cinema Novo. Voltaria ao personagem 14 anos mais tarde, em "A Queda", novamente pelas mãos de Guerra, mas agora dividindo com ele a função de diretor. O trabalho lhe rendeu um Urso de Prata no Festival de Berlim, com um prêmio especial do júri, e reflete a postura esquerdista que defendeu desde a juventude.

Até a metade da década de 1970, Nelson Xavier foi acumulando grandes filmes – "A Falecida" (65), de Leon Hirszman; "Os Deuses e os Mortos" (70), muito premiado em Brasília, outra colaboração com Guerra; "Vai Trabalhar Vagabundo" (73); e "Rainha Diaba" (74), até chegar a "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1976), até o ano passado o maior sucesso da história do cinema brasileiro, quando perdeu o posto para "Tropa de Elite 2".

No início da década de 1980, encarou aquele que é até hoje provavelmente seu papel mais conhecido na televisão, na minissérie "Lampião e Maria Bonita", da rede Globo, em que dividia as telas com a atriz Tânia Alves, o par do cangaceiro. Voltaria a encontrar Sônia Braga em "Gabriela, Cravo e Canela" (83) e, alguns anos depois, também em seu primeiro projeto internacional, "Luar sobre Parador" (88), com Raul Julia e Richard Dreyfuss.

Xavier também encarou mais dois filmes com produção no exterior, a superprodução "Brincando nos Campos do Senhor" (91), filmada na Amazônia por Hector Babenco, e "O Testamento do Senhor Napumoceno" (98), do português Francisco Manso. O filme é uma adaptação do romance do escritor cabo-verdiano Germano Almeida e lhe valeu o prêmio de melhor ator na competição latina do Festival de Gramado.

Com a carreira em marcha reduzida na televisão, Nelson Xavier recebeu o convite do amigo Daniel Filho para interpretar Chico Xavier na telona. Ateu, mas filho de espíritas, viu sua crença girar 360 graus ao estudar para o projeto. Visitou a Casa da Prece, onde o médium atendia diariamente dezenas de pessoas em Uberaba, e saiu de lá transformado. "Foi um turbilhão de choro e energia. Só posso crer que ele estava comigo", declarou.

Divulgação
Tânia Alves e Nelson Xavier na minissérie "Lampião e Maria Bonita", de 1982
Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, o ator disse porque resolveu encarar o papel. "Ele se devotou à caridade e ao bem do próximo, e pregou o amor de modo tão radical, que eu não resisti." Com prótese nos dentes, maquiagem e peruca, Nelson se transformou no personagem não de forma trivial, mas sim integral – incorporou seus trejeitos, a fala pausada, o carinho nos gestos. A competência e semelhança foram comprovadas por três milhões de espectadores, que assistiram a "Chico Xavier" nos cinemas.

Como se não bastasse, Nelson topou interpretar Chico em mais um filme. O primeiro é "As Mães de Chico Xavier", em que atua ao lado da mulher, Via Negromonte. O roteiro foi baseado no livro "Por Trás do Véu de Isís", de Marcel Souto Maior, mesmo autor da biografia do médium. Questionado sobre a longevidade que está dando ao papel, a resposta do ator em geral é a mesma: encara a tarefa de viver o médium de forma "respeitosa e grata".

No segundo semestre, Nelson Xavier vao participar de mais uma produção espírita. É "O Filme dos Espíritos", de André Marouço, baseado no "Livro dos Espíritos" de Allan Kardec. Desta vez, no entanto, ele não interpreta Chico, mas um psiquiatra que tenta auxiliar o protagonista.

Marouço, responsável pela produção, roteiro e direção do filme, conta que conheceu o ator durante uma mostra de curtas-metragens realizada em São Paulo. Na ocasião, Nelson teria expressado a vontade de estar em futuros trabalhos espíritas e não demorou a entrar para o projeto. Marouço afirma que a afinidade do ator com a doutrina teria mais pesado na escolha do que sua fama como intérprete de Chico Xavier.

A estreia de "O Filme dos Espíritos" está prevista para 7 de outubro, com distribuição da Paris Filmes, também responsável pelas cópias de "As Mães de Chico Xavier". O diretor está confiante no sucesso, o mesmo das produções anteriores do gênero espírita, "com o diferencial de que vamos ser bem acolhidos pela crítica". É bem possível – a estrela de Nelson Xavier brilha, e brilha forte.

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