Nelson Pereira dos Santos é homenageado na França

Diretor exibe sete filmes na programação do Festival de Cinema Brasileiro de Paris; competição do evento reúne produção recente

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Nelson Pereira dos Santos em foto de arquivo: espírito do "cinema novo" ainda vive
O cineasta Nelson Pereira dos Santos, 83 anos, um dos fundadores do Cinema Novo no Brasil, declarou ontem em Paris que "o espírito desse movimento está ainda muito presente entre os cineastas brasileiros contemporâneos". A declaração foi feita durante a cerimônia de abertura do 13º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, onde o diretor foi homenageado. A programação se estende até 17 de maio.

"O cinema brasileiro atual é de uma riqueza enorme. De todas as regiões do país surgem filmes extraordinários. Tem todo tipo de roteiro, de maneiras de filmar", disse Pereira dos Santos, diretor de "Rio 40 graus" e "Vidas Secas". "Continuo trabalhando. Acabo de terminar um filme sobre Tom Jobim, que é pura música. Há informações visuais que dão idéia da cronologia, mas é música pura. Exploramos tudo relativo a suas composições para Orfeu Negro."

Nelson Pereira dos Santos chegou pela primeira vez a Paris aos 21 anos, em 1949, para estudar cinema, mas o atraso do navio em que viajava o impediu de matricular-se no famoso Instituto de Altos Estudos Cinematográficos de Paris (IDHEC, na sigla em francês). "Fiquei três meses em Paris. Aprendi francês e vi muito cinema na cinemateca", disse.

O festival de cinema brasileiro de Paris, organizado pela Associação Jangada, renderá homenagem a ele, exibindo sete de seus clássicos: "Rio Zona Norte" (1957), "Azyllo Muito Louco" (1969), "Boca de Ouro" (1962), "Jubiabá" (1985), "Memórias do Cárcere" (1983) e "Como Era Gostoso o Meu Francês" (1971). Também será homenageado o escritor Jorge Amado.

O fotógrafo Pedro David inaugurou, como parte do festival, uma exposição sobre o sertão chamada "Homem de Pedra". "Em associação com a União Latina, tivemos a honra de receber Nelson Pereira dos Santos e exibimos sete de seus grandes clássicos", disse Kátia Adler, diretora do festival. "Sua obra acaba de ser restaurada e merece ser revista", completou.

Segundo Lisa Ginzburg, diretora de União Latina, "o olhar de Pereira dos Santos é capaz de ter a intuição profunda do cinema experimental, tomando como modelo o neorrealismo italiano e o cinema de Roberto Rossellini, cujo ponto de vista estético e antropológico encontra nele uma linguagem tropical", declarou.

Celso Pereira/Divulgação
Ana Paula Arósio em "Como Esquecer"
Uma mesa-redonda nesta quinta-feira enriquecerá ainda mais a homenagem a Nelson Pereira dos Santos. Participarão Paulo Antônio Paranaguá, jornalista do Le Monde, Marie-Christine de Navacelle, ex-delegada do festival Cinema du Réel, e Lisa Guinzburg. "Também projetaremos UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) na pré-estréia mundial. Este documento oferece uma primeira visão cinematográfica do trabalho das UPPs, que aborda as favelas do Rio de Janeiro sob um ângulo que não é exclusivamente repressivo.

Oito longa-metragens concorrerão no 13º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, entre eles "Como Esquecer", de Malu Martino, "Chico Xavier", de Daniel Filho, "Malu de Bicicleta", de Flávio Ramos Tambellini, "180 Graus" de Eduardo Vaisman, e "Além da Estrada", de Charly Braun.

Também competem pelo prêmio "Os Famosos e os Duendes da Morte" de Esmir Filho, "As Melhores Coisas do Mundo", de Lais Bodansky, e "Desenrola", de Rosane Svartman. Entre os documentários exibidos estão "O Manuscrito Perdido", de José Barahona, "Uma Noite em 67", de Renato Terra e Ricardo Calil, "Cortina de Fumaça", de Rodrigo Mac Niven, e "Memória Cubana", de Alice de Andrade e Ivan Nápoles.

Outros documentários apresentados no festival serão "Terra Deu, Terra Come", de Rodrigo Siquiera, "Diário de Uma Busca", de Flávia Castro, "Gisele Omindarewa", de Clarice Peixoto, "Rio Sonata: Nana Caymmi", de Georges Gachot, e "Noel Rosa - Poeta da Vila e do Povo", de Dacio Malta.

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