Natalie Portman coloca em ação o que havia aprendido na infância

Atriz estudou balé quando criança e mostra técnica em sua atuação em 'Cisne Negro'

Paola Deodoro, iG São Paulo |

Natalie Portman foi muito além do regime que a fez perder 10 quilos para interpretar a primeira-bailarina Nina de "Cisne Negro”, que acaba de estrear no Brasil. A atriz de 29 anos puxou fundo da memória o que seu corpo arquivou entre seus quatro e 13 anos, quando praticava balé, e colocou em ação agora.

Suavizar as diferenças entre uma bailarina de fato e uma atriz atuando como uma bailarina foi o compromisso mais sério que Portman assumiu quando aceitou o papel. E precisou trabalhar duro.
Com a ajuda de Georgina Parkinson, estrela do Royal Ballet e solista do American Ballet Theatre, Portman teve uma preparação intensa e gradual para marcar as diferenças estéticas entre o tipo de dança das duas personagens de “Lago dos Cisnes”.

A professora de 71 anos, que faleceu duas semanas antes do início das gravações, começou a treinar a atriz um ano antes, assim que o roteiro ficou pronto. Parkinson, que dançou brilhantemente o antagonismo de Odette (Cisne Branco) e Odile (Cisne Negro) durante muitas temporadas, começou os treinos com Natalie Portman resgatando a técnica e os movimentos específicos da peça. Durante os seis primeiros meses, foram duas horas diárias de aulas. Em seguida, passaram para cinco horas. Eram 1,6 km de natação, um trabalho para reforçar o tônus muscular de aproximadamente 1 hora e mais três horas de balé. Seis vezes por semana.

Só mesmo dois meses antes de começar as filmagens que as coreografias foram incorporadas à rotina, o que totalizava oito horas de prática. Foi no momento da sequência coreográfica que o francês Benjamin Millepied, primeiro-bailarino do New York City Ballet, entrou na rotina de Portman. E não saiu mais.

Millipied, um dos coreógrafos mais importantes da cena da dança atual, foi o responsável por adaptar a peça original de Marius Petipa para o filme. Também interpretou um dos bailarinos que contracena com a protagonista. O contato íntimo e intenso não deu outra: atriz e bailarino estão noivos, esperando um bebê para julho.

O coreógrafo explicou na coletiva de apresentação do filme, em Los Angeles, que criou as sequências dos passos e que eles eram repetidos e corrigidos todos os dias. “Trabalhamos muito, eu queria um resultado limpo, com os fundamentos reais do balé clássico. Como as pernas são mais difíceis, foquei mais na parte de cima do corpo. Como os 'shots' eram da cintura para cima, cortamos o problema pela metade”, brincou.

Além da mãozinha do futuro noivo, Portman teve outra ajuda preciosa, a da professora Mary Helen Bower, idealizadora do Ballet Beautiful. A técnica desenvolvida pela bailarina utiliza exercícios e fragmentos coreográficos do balé para o condicionamento físico. Bower teve a responsabilidade de deixar a atriz com corpo de bailarina, forte e alongado.

O resultado desse programa de treinamento foram benefícios visíveis para a produção. Por mais que bailarinos profissionais torçam o nariz para uma possível má postura ou um peito de pé nem tão quebrado, há de se admitir que Natalie Portman se transformou em uma bailarina.

Embora muita gente esperasse ver a clássica sequência de 32 fouettés (giros sobre a ponta, impulsionados pela perna esticada), famosa da coreografia de “Lago dos Cisnes”, os giros, as subidas em ponta, os movimentos de braço e as sequências longas possibilitaram perceber a intenção da versão de Millipied para o tradicional balé de repertório. Quem sabe ele toma coragem, completa as lacunas e monta sua versão para o palco do mundo real. Só vai precisar escolher outra prima ballerina.

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